Cinza do vulcão islandês ameaça aviões e vida animal | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 16.04.2010
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Mundo

Cinza do vulcão islandês ameaça aviões e vida animal

Formada por pó, gás, vapor de água, silício e enxofre, a cinza do vulcão islandês pode ser nociva a aviões e animais. No norte da Europa, o fechamento de aeroportos torna caótica a situação do tráfego aéreo.

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Depois da erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, foram fechados diversos aeroportos na Inglaterra, Escandinávia e Alemanha. O motivo é a presença da cinza vulcânica no ar, que põem em risco os aviões.

A mistura de pó, gás, vapor d'água e silício, entre outras substâncias, foi lançada com tamanha força pelo vulcão que atingiu até 10 quilômetros de altura. Por diversos motivos, essa fuligem pode ser prejudicial ao funcionamento de aviões.

Ao se depositar na superfície das aeronaves, ela esfria e forma partículas vítreas que agem como uma lixa, danificando o revestimento e o perfil do avião e comprometendo sua propulsão. Além disso, arranha o pára-brisa das aeronaves, tirando completamente a visibilidade dos pilotos.

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Outro grande perigo é o silício contido na cinza vulcânica, que derrete a menos de 1.200ºC, a temperatura no interior das turbinas das aeronaves. O material derretido gruda nas hélices e nas paredes das turbinas, impedindo a passagem de ar e causando a parada do motor.

Para realizar a combustão, os motores a querosene precisam de oxigênio, cuja concentração é baixíssima na nuvem de cinza vulcânica. Esta é outra possível causa para a interrupção do funcionamento dos motores.

Além disso, os sensíveis aparelhos de medição podem ser gravemente danificados pelas partículas de fuligem. Elas obstruem os sensores de velocidade e altura, impossibilitando a manobra das aeronaves.

Segundo uma publicação especializada, mais de 90 jatos foram danificados por erupções vulcânicas nos últimos 30 anos. Durante a eclosão do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, registraram-se 20 casos.

Violência excepcional

Ulrich Schreiber, vulcanólogo da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, acrescenta que a situação da Islândia é especial, pois o vulcão encontra-se em área coberta por neve e gelo. Segundo ele, a água gerada pelo derretimento aumentou enormemente a potência da erupção.

"As forças eruptivas envolvidas são enormes. Água em contato com temperaturas elevadas e sob pressão gera, justamente, explosões. Além disso, temos um enorme transporte de material livre, micropartículas, para a atmosfera", explicou Schreiber.

Segundo o vulcanólogo, há possíveis riscos para a fauna da região. "A cinza por si só não seria grave, mas sim os elementos contidos nos gases, como flúor e enxofre, que são muito prejudiciais à saúde dos animais", explica.

O material tóxico se deposita sobre o pasto, sendo ingerido juntamente com o capim. "Já houve, na história da Islândia, frequentes mortes de gado em conseqüência de teores altos de enxofre", lembra Schreiber.

Risco humano

Para o especialista, em princípio, a cinza do vulcão não ameaçaria a saúde humana. Porém no caso de uma concentração extrema de dióxido de enxofre, asmáticos e pessoas de saúde comprometida poderiam apresentar sintomas.

Ainda é possível que a cinza atinja toda a Europa, atravessando o Oceano Atlântico e alcançando os Estados Unidos. Segundo vulcanólogos e meteorologistas, os problemas podem se estender por dias, semanas ou até meses.

Autor: Andreas Ziemons / Gudrun Heise (DD)
Revisão: Augusto Valente

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