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Cultura

Cinema independente alemão é destaque em Porto Alegre

Evento que acontece pela primeira vez na capital gaúcha traça um panorama da produção cinematográfica alemã de baixo orçamento na última década. O festival ainda oferece debates e uma oficina de cinema independente.

Os fãs gaúchos de cinema independente terão a oportunidade de acompanhar o que de mais interessante aconteceu nessa área na Alemanha na última década. Nesta sexta-feira (12/07) começa o primeiro Festival de Cinema Independente Alemão de Porto Alegre.

O festival é uma iniciativa do Instituto Goethe e da Fantaspoa Produções e tem curadoria de João Pedro Fleck e Nicolas Tonsho. Até o dia 21 de julho serão apresentados 23 longas e seis curtas-metragens realizados de forma independente na Alemanha, oferecendo um panorama autoral do novo cinema alemão.

Além dos filmes, o festival leva à capital gaúcha dois cineastas da nova geração alemã, M.A. Littler e Felix Stienz, para comentar suas obras.

Com comédias, dramas, aventuras e documentários, a mostra oferece aos espectadores não só produções criativas e originais, mas também boas opções aos filmes comerciais, que nos últimos anos não se cansam de investir em sequências e refilmagens.

Como em outros países, o cinema independente feito na Alemanha, ou feito por alemães ao redor do mundo, é marcado por filmes com um forte caráter autoral, em que os realizadores têm ampla liberdade para criação estética, experimentações com a linguagem e abordagem de temas difíceis ou polêmicos.

Diretores convidados

Os filmes de M.A. Littler já foram descritos como uma estranha mistura entre cinema europeu de autor, intelectualismo, rock'n'roll e um enorme senso de melancolia. Uma outra característica de seus filmes é um olhar não condescendente, porém terno para pessoas que vivem às margens da sociedade. Sua câmera busca acompanhar personagens que dançam segundo seu próprio ritmo, seguindo uma música própria.

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"O Rio era um Homem" mostra a viagem pessoal de um jovem alemão pela África

Documentários como O reino da sobrevivência e Zownir: homem radical parecem distantes entre si, mas são exemplos do universo abordado pelo diretor. O primeiro é um diário de viagem que busca estratégias e alternativas de sobrevivência para um mundo condenado pelo capitalismo. Homem radical, de 2006, é um retrato do artista marginal Miron Zownir.

Já a ficção A estrada para Nod é uma jornada sobre as consequências inevitáveis das decisões erradas. A tragédia eminente do filme é ressaltada por uma fotografia em preto e branco que remete aos clássicos filmes noir, mas o road movie tem seu ritmo peculiar, pontuado pelo blues.

Outro diretor que participa do evento é Felix Stienz. O jovem berlinense apresenta seu filme de estreia A boneca, o gordo e eu, lançado na Alemanha no final de 2012. O longa mostra a jornada de um homem que decide roubar seu chefe. No caminho, ele encontra o gordo Bruno e uma cega francesa que está em Berlim à procura de um homem que a engravidou. Stienz também apresenta um programa com cinco de seus premiados curtas-metragens realizados desde 2005.

Alguns destaques

"Entre os novos cineastas gays, eu admiro muito Axel Ranisch. Ele é um ex-aluno meu e fez um filme muito interessante chamado Dicke mädchen", declarou o cineasta Rosa von Praunheim em entrevista à DW Brasil no ano passado. A comédia sobre o amor e as tragédias do cotidiano recebeu no Brasil o nome de Garotas Gordas e é um dos destaques do festival gaúcho.

Outro destaque entre os filmes de ficção é o premiado O rio era um homem. Em uma viagem pessoal, que remete a uma versão mais contida das odisseias de Herzog, o diretor estreante Jan Zabell mostra a jornada de um jovem alemão (Alexander Fehling) pela África, onde um velho pescador o leva para as profundezas da selva em seu barco de madeira. O filme ganhou o prêmio de novos diretores no Festival de San Sebastian em 2011.

Oficina paralela

Der Schauspieler Axel Ranisch, aufgenommen am 27.10.2010 in Köln bei einem Pressetermin zu dem Kinofilm Ruhm. Foto: Horst Galuschka

O diretor Axel Ranisch tem seu filme de estreia no festival em Porto Alegre

Para quem não quer apenas assistir aos filmes, mas entender um pouco melhor como eles são feitos, o festival também oferece ao público a oportunidade de passar para trás das câmeras com a Oficina de Cinema Maverick, ministrada por M. A. Littler.

A oficina é gratuita, tem encontros teóricos e práticos e o objetivo de realizar um longa-metragem durante o evento. Tentando mostrar que o mundo da realização cinematográfica independente pode ser mágico, selvagem e eventualmente enlouquecedor, Littler pretende desmistificar o cinema independente, oferecendo conselhos práticos e objetivos.

O roteirista e diretor oferece uma visão prática, compreensível e realista do processo de realização de filmes de baixo (ou mesmo nenhum) orçamento, guiando os participantes através dos diversos estágios do processo de produção e levantando questões como "Como fazer para que meus filmes sejam exibidos internacionalmente e em cinemas alternativos?".

Para a oficina, Littler desenvolveu dez mandamentos, que servem de ajuda, incentivo e também são um banho de realidade para quem quer se aventurar na realização cinematográfica independente. "Nunca se permita não terminar um filme", "Saiba o filme que você vai fazer antes de trabalhar com outras pessoas" ou "Não espere louvores" são algumas das dicas do diretor. O filme realizado na oficina será apresentado no encerramento do festival.

O primeiro Festival de Cinema Independente Alemão acontece no Instituto Goethe, Cine Santander, Cine Bancários e Sala Eduardo Hirtz em Porto Alegre até 21 de julho. Todos os filmes têm legendas em português. Programação e horários no link abaixo.

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