1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Cinema alemão retorna a Veneza

Pela primeira vez sob a direção de Moritz de Hadeln, a mostra competitiva em Veneza ignora a América Latina. A Alemanha tem dois longas e duas co-produções. Nas mostras paralelas, o Brasil tem apenas "Rocha que voa".

default

Após quatro anos de ausência, o cinema alemão está de volta ao Festival Internacional de Cinema de Veneza, em sua 59ª edição, que se realiza a partir desta quinta-feira (29) até 8 de setembro. Filmes de Doris Dörrie e Winfried Bonengel, além de duas co-produções com participação alemã, concorrem ao Leão de Ouro. A última produção alemã contemplada com a estatueta foi O Estado das Coisas (Der Stand der Dinge), de Wim Wenders, em 1982.

O "destaque especial às contribuições alemãs" deve-se ao novo diretor, Moritz de Hadeln, que foi o número um da Berlinale durante mais de 20 anos

Ao todo, 14 produções européias estão entre as 21 que concorrem ao Leão de Ouro. Três são norte-americanas; Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Austrália fecham a lista. As quatro mostras paralelas trazem 122 filmes, entre eles apenas um brasileiro: Rocha que voa, de Erik Rocha, que participa do ciclo "Novos Territórios".

Hollywood – A proposta do diretor de Hadeln, anunciada em junho, é destacar "a força do cinema europeu". Conhecido por sua preferência por produções convencionais que atingem o grande público, de Hadeln parece ter confirmado o viés mais conservador para Veneza 2002, com a sua escolha.

A seleção feita pelo suíço, que coordenou por mais de duas décadas o Festival Internacional de Cinema de Berlim, tem em vista o número de atores hollywoodianos que pode atrair. Nicole Kidman (em The Hours, de Stephen Daldry), Tom Hanks (em Road to Perdition, de Sam Mendes) e Antonio Banderas (em Frida, de Julie Taymor) são alguns deles. "Muitas estrelas, pouco Oriente", este é o lema.

Sucessão –

Moritz de Hadeln, Venedig Film Festival

Moritz de Hadeln, novo diretor em Veneza

De Hadeln foi escolhido para substituir Alberto Barbera, que renunciou ao cargo em janeiro em sinal de protesto contra a política cultural do governo de direita do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. De Hadeln não foi bem recebido pela mídia italiana, que viu no suíço mais uma escolha de última hora do que o nome ideal para o cargo.

Ao contrário da seleção anterior de Barbera, o novo diretor preferiu produções "ocidentais" e também não abriu espaço para a América Latina. Em 2001, quase a metade dos filmes em competição vinham de países como Brasil, México, Irã e Israel, tendo sido atribuído ao filme indiano Monsoon Wedding o Leão de Ouro na categoria de melhor filme.

O júri de 2002 em Veneza será presidido pela atriz chinesa Gong Li ( Lanternas Vermelhas), que ganhou o Leão de Ouro em 1992 como melhor atriz pela sua atuação em A História de Qui Ju. A escolha rompe com a tradição do festival, de ter um(a) diretor(a) na presidência do júri, regra quebrada pela última vez em 1992, quando o ator Dennis Hopper assumiu a função.

Alemanha – O longa Nackt (Nu), de Doris Dörrie, discute o drama das relações de três casais, que ao se reencontrarem depois de muito tempo dão início a experiências inusitadas.

Além da veterana Dörrie, Winfried Bonengel traz Führer Ex. O roteiro, baseado em Acertando Contas ( Die Abrechnung), de Bonengel e Ingo Hasselbach, conta a história de um anarquista na ex-Alemanha Oriental, que após a queda do Muro de Berlim acaba se envolvendo com extremistas de direita. Bonengel, que dirigiu em 1993 o controverso documentário Profissão Neonazista – um perfil do skinhead Ewald Althans – volta ao tema em Führer Ex.

Além disso, duas co-produções alemãs concorrem ao Leão de Ouro: Bear‘s Kiss, do russo Sergej Bodrov ( Prisioneiro das Montanhas), e Julie Walking Home, da polonesa Agnieszka Holland. A Alemanha havia participado da mostra competitiva de Veneza pela última vez em 1998, com Corre, Lola, Corre, de Tom Tykwers.

Fassbinder – As mostras paralelas trazem ainda uma série de filmes alemães, entre eles o curta Angst isst Seele auf ( O medo devora a alma), do iraniano radicado na Alemanha Shahbaz Noshir. O título escolhido por Noshir é uma referência a Angst essen Seele auf ( O medo 'devorar' a alma), clássico de Fassbinder de 1973, que traz no título um erro de conjugação proposital, em alusão ao personagem de um imigrante marroquino. O curta, assim como o longa de Fassbinder, tem a veterana Brigitte Mira como protagonista.

A retrospectiva de Veneza 2002 será dedicada ao grande mestre Michelangelo Antonioni, e o diretor italiano Dino Risi receberá um Leão de Honra por sua contribuição à sétima arte.

Leia mais

Links externos