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Cultura

Cinema alemão ganha sede para restauração e arquivo de filmes

O Estado de Hessen e a cidade de Wiesbaden liberam verba para construção da Casa do Cinema da Fundação Friedrich Wilhelm Murnau.

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'Metrópolis', obra-prima de Fritz Lang, foi primeiro filme a ser tombado pela Unesco

Foi uma bela notícia para os admiradores do cinema alemão: o governo do Estado de Hessen e sua respectiva capital, Wiesbaden, estarão construindo a partir do verão deste ano a Filmhaus (Casa de Cinema) para a Fundação Friedrich Wilhelm Murnau. Criada em 1966, a instituição dedica-se à restauração e ao arquivamento de filmes produzidos na Alemanha.

O centro cinematográfico, orçado em 6,7 milhões de euros, vai abrigar também outras importantes entidades da chamada sétima arte e uma sala de exibição que nos dias úteis servirá de centro de trabalhos, funcionando nos fins de semana e horários vagos como cinema aberto ao grande público.

Reconhecimento internacional

Fritz Lang

O diretor austríaco Fritz Lang

Quando a Unesco decidiu em 2001 nomear Metrópolis, a obra-prima do diretor austríaco Fritz Lang, como primeiro filme do mundo a ser tombado como Memória da Humanidade, um grupo de cinéfilos, técnicos e historiadores engajados de Wiesbaden comemorou o esperado reconhecimento internacional para a causa pela qual lutavam há décadas: a restauração de clássicos da cinematografia alemã, ou falados em alemão (como é o caso de Metrópolis) e de valiosos documentos históricos gravados em película. A recuperação do filme de Lang tinha sido até então o trabalho de maior vulto da Friedrich-Wilhelm-Murnau-Stiftung em seus 35 anos de existência.

Memória reconstituída

O acervo da fundação reúne dois mil filmes mudos e cerca de outros mil da primeira fase do cinema falado, dentre produções da Ufa, da Universum-Film, da Bavaria, da Terra, da Tobis e da Berlin-Film, empresas que fundamentaram a indústria cinematográfica na Alemanha. O verdadeiro tesouro engloba ainda três mil curtas-metragens, documentários, peças publicitárias, além de 60 mil fotos e cartazes de filmes.

De especial valor histórico é o acervo de películas produzidas no período do regime fascista. Filmes panfletários como Jud Süss (O Judeu Süss, de 1940), Hitlerjunge Quex (Quex, o rapaz da Juventude Hitlerista, de 1933), Ich klage an (Eu acuso, de 1941) e outros foram organizados em cinco CD-Roms pelo especialista Gerd Albrecht, estudioso do tema nacional-socialismo e cinema. O material, enriquecido por análises críticas e documentos de época, está sempre em exibição em seminários promovidos em escolas e cinematecas pelo IKF – Instituto de Cinema e Cultura Cinematográfica.

Arte preservada

Deutschland Geschichte Film Filmszene Der blaue Engel mit Marlene Dietrich

Marlene Dietrich no papel de Lola em 'Anjo Azul'

A fundação vem cuidando também de manter os direitos autorais de clássicos do cinema alemão em poder do país onde foram produzidos, principal interessado em sua preservação. É o caso do renomado Anjo Azul, de Josef von Sternberg, estrelado pelo mito Marlene Dietrich e por Emil Jannings.

Títulos importantes como Die Bergkatze, de Ernst Lubitsch, Tartüff, de Friedrich W. Murnau, e Zur Chronik von Grieshuus, de Artur von Gerlach, também foram restaurados pela instituição, tendo alguns deles inclusive sido lançados em DVD, como Unter den Brücken, de Helmut Käutner, e uma luxuosa caixa com cinco títulos do diretor Ernst Lubistch.

Os próximos grandes projetos da Murnau-Stiftung são a restauração de Die Goldene Stadt (A Cidade Dourada), Immensee e Opfergang, de Veit Harlan, assim como de Grosse Freiheit Nr.7, de Helmut Käutner. O instituto está finalizando para os próximos meses a recuperação de Die Niebelungen (Os Niebelungos), de Murnau.

No rastro dos clássicos

Friedrich Wilhelm Murnau um 1925 mit Filmstreifen Ausstellung Filmmuseum Berlin

Friedrich Wilhelm Murnau

Muitos filmes desaparecidos na Alemanha ainda estão espalhados pelo mundo afora, e a fundação tenta, através de uma rede de intercâmbio com outros países, salvá-los da destruição. Só de Friedrich W. Murnau são nove títulos perdidos. A restauração de Michael, por exemplo, de Carl Theodor Dreyer, só foi possível com a ajuda de uma instituição dinamarquesa.

"No Brasil existem produções alemãs, mas elas não foram contrabandeadas. Era comum das produtoras Ufa, Terra e Tobis licenciarem filmes para o estrangeiro e até produzi-los para lá. Não sabemos de nenhum caso de produções contrabandeadas para o Brasil, nem de material que tenha sido destruído lá", informou Gudrun Weiss, da Fundação Friedrich Wilhelm Murnau.

A decisão de manter a fundação na cidade de Wiesbaden foi festejada por muitos que andavam descontentes com a centralização excessiva de projetos desse porte na capital Berlim.

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