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Cultura

Cineastas de amanhã

Cerca de 500 profissionais jovens, entre eles quatro brasileiros, participam da seção Talent Campus no Festival de Cinema de Berlim. Além de discussões e workshops, o encontro oferece subsídios para projetos futuros.

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Casa das Culturas do Mundo, sede do Talent Campus

Poucos depois de assumir a direção do Festival Internacional de Cinema de Berlim, há três anos, Dieter Kosslick já deixava claro: um de seus principais interesses seria apoiar cineastas jovens.

Através de uma cooperação estabelecida entre o festival, a Fundação para o Fomento do Cinema de Berlim-Brandemburgo e o UK Film Council, foi criada em 2003 a seção Talent Campus, como parte integrante do festival.

Wim Wenders Porträtfoto Deutschland Film-Regisseur Film

O diretor alemão Wim Wenders: diáologo com cineastas iniciantes

Laboratório cinematográfico

Durante cinco dias (7 a 12/02), os cerca de 500 profissionais de todo o mundo têm a oportunidade de entrar em contato com grandes nomes do cinema, como o diretor e produtor Anthony Minghella ( O Paciente Inglês), Walter Munch (responsável, entre outros, pela montagem e som de Apocalipse Now) e o diretor alemão Wim Wenders. Sob o lema Let's get passionate about film (Vamos nos apaixonar pelo cinema), a organização do festival dá continuidade ao bem-sucedido projeto do ano anterior.

A Casa das Culturas do Mundo, em Berlim, que sedia o encontro, transforma-se em um verdadeiro laboratório cinematográfico, com palestras, workshops, discussões e até a produção de um curta-metragem digital, rodado e editado pelos participantes.

Em discussão, estão as cinco fases de um filme - desde a idéia, passando pela pré-produção, produção, pós-produção até a promoção - com a participação de diretores, roteiristas, produtores, cinegrafistas, atores, montadores, editores de som e este ano, pela primeira vez, compositores especializados em trilhas sonoras.

NATHANIEL LECLERY BRAZIL berlinale 2004 Talent Campus

O brasileiro Nathaniel Leclery, roteirista de »Fala Tu« e participante do Talent Campus

Pornochanchada e mercado musical

Dos 3500 inscritos, foram selecionados 520 participantes de 84 países, entre eles quatro brasileiros: o baiano Alexandre Guena, a carioca Isabel Diegues, Nathaniel Leclery (que nasceu em Paris, tendo sido criado no Rio e Nova York) e o capixaba Gustavo Moraes, que já havia participado do Talent Campus do ano anterior.

Entre os projetos em andamento dos brasileiros presentes, está um documentário de Alexandre Guena sobre o mercado negro da música. Batizado ironicamente de Blame on the Major Leagues, em alusão à "primeira divisão" das grandes gravadoras, o documentário pretende abordar a dificuldade de distribuição enfrentada por selos independentes e artistas populares, cujos CDs só chegam ao consumidor final através de vendedores ambulantes.

Participando pela primeira vez de um festival "fora de casa", Alexandre afirma em entrevista à DW-WORLD que o intercâmbio com cineastas de todo o mundo promete ser proveitoso. "Por aqui estamos sempre esbarrando em alguém da indústria do cinema. Parece que tudo pode acontecer", profetiza com otimismo. Acoplado de uma câmera digital, o jovem cineasta pretende registrar trechos de sua passagem pelo Talent Campus.

Já Nathaniel Leclery, roteirista de Fala Tu - presente na seção Panorama da Berlinale - traz na bagagem o projeto de um documentário sobre a pornochanchada dos anos 70, além de São Paulo Surreal, que pretende ser um portrait da metrópole brasileira a partir do trabalho do fotógrafo português Fernando Lemos.

Prêmio

No próximo dia 11, será anunciado o primeiro Berlin Today Award - um prêmio concedido pela Fundação para o Fomento do Cinema de Berlim-Brandemburgo ( Filmboard Berlin-Brandenburg). No último ano, todos os participantes do Talent Campus foram convidados a apresentar um projeto de curta-metragem, cujo tema tivesse alguma espécie de ligação com Berlim.

Entre os inscritos, o júri escolheu três cineastas mulheres, que, além de 70 mil euros, receberam ainda o apoio técnico dos cineastas alemães Volker Schlöndorff, Andreas Dresen e Esther Gronenborg para a execução de seus curtas.

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