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Mundo

Cineasta é impedida de negar extermínio de ciganos

A diretora de cinema Leni Riefenstahl, de quase 100 anos, fez uma declaração juramentada, pela qual não pode mais dizer que viu os ciganos do seu filme "Tiefland" (Planície) depois da Segunda Guerra Mundial.

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Leni Riefenstahl, fotografada em 1994, é acusada de negar o Holocausto

A cineasta Riefenstahl, que completará 100 anos de idade em 22 de agosto, também se comprometeu, com a declaração de cessação a não repetir mais que "nada aconteceu com um sequer dos ciganos" coadjuvantes do seu filme de propaganda de nazista, realizado no início dos anos 40. Os 48 ciganos requisitados por ela para as filmagens foram devolvidos ao campo de concentração Max Glahn, em Salzburg, e os nazistas exterminaram pelo menos 20 deles.

A sobrevivente Zäzilia Reinhardt, hoje com 76 anos de idade, tinha 15 anos quando foi levada ao campo de extermínio. Nesta sexta-feira (16), ela anunciou a sua vitória contra a mentira da cineasta polêmica, numa entrevista coletiva com a participação do historiador e autor de várias obras sobre o extermínio de seis milhões de judeus pela Alemanha nazista, Ralph Giordano, e do jornalista e escritor polêmico Günther Wallraff, autor de Cabeça de Turco. Por causa de ameaças de morte, o encontro com os jornalistas aconteceu sob proteção policial. Os sobreviventes exigiram também indenização de Riefenstahl.

Negação do Holocausto

A Associação dos Ciganos na Alemanha divulgou uma lista com os nomes dos 48 ciganos, em que os mortos aparecem com destaque. A associação, empenhada pelo entendimento entre ciganos e não ciganos, também confirmou a apresentação de uma queixa-crime contra Riefenstahl, em Frankfurt, por negação do Holocausto, crime passível de pena de prisão na Alemanha. "Ela se serviu diretamente do sistema da nazista, não se envergonhou de usar trabalhadores forçados e depois continuou acobertando seus crimes."

O historiador Giordano, autor de Os Bertinis, acusou a cineasta de ter mentido a vida inteira e sugeriu que o seu 100º aniversário é uma boa oportunidade para ela ser sincera e romper com a sua eterna mentira. O escritor Wallraff, detestado pela direita por causa dos seus livros denunciando corrupção, repressão e exploração na Alemanha e outros países, qualificou Riefenstahl como uma propagandista e beneficiária de primeira classe de Adolf Hitler.

Integração & assimilação

Aproximadamente 120 mil ciganos, das etnias roma e sinti, vivem na Alemanha. Outros 20 mil procedentes da Hungria, Romênia, República Tcheca, Polônia e Macedônia encontram-se no país como refugiados. Discriminados e excluídos socialmente, eles buscam não só melhores condições de vida. Uma nova consciência de identidade própria provocou várias reivindicações para garantir mais proteção e respeito à minoria. Os ciganos sinti, que vivem na Alemanha há várias gerações, veêm a questão diferente.

Natacha Winter, nascida na Alemanha, por exemplo, se sente como "uma alemã cigana" e perfeitamente integrada. Ao contrário da convicção generalizada no país, ela não considera pejorativa a palavra Zigeunerin (cigana). Atuante na Aliança Sinti da Alemanha, ela rejeita a qualificação "sinti e roma" para designar os ciganos no país, "porque existem grandes diferenças na cultura e formas de sociedade das duas etnias".

Natacha se diz uma cidadã alemã com todos os direitos e deveres e repudia medidas de integração. "Estamos integrados e não precisamos de medidas de integração, até porque integração aqui é sempre confundida com assimilação." Há um porém: ela é uma das exceções que confirmam a regra.

Extermínio e perseguição

Para a historiadora Carola Fings, do Centro de Documentação Nazista de Colônia, depois do extermínio de dezenas de milhares de ciganos no nazismo, outro problema gravíssimo dos ciganos foi os criminosos terem continuado, depois de 1945, a trabalhar na polícia, que organizou a perseguição, e a manipular os dossiês após a guerra.

De outro lado, segundo a historiadora, os chamados pesquisadores de raças continuaram a defender suas opiniões em todo tipo de pareceres com conseqüências extremamente negativas para as vítimas. De forma que, após a guerra, a Justiça alemã não reconheceu a perseguição dos ciganos e considerou os crimes dos nazistas contra eles como medidas corriqueiras da polícia criminal. Uma delas foi tomar os passaportes dos ciganos, tonando-os apátridas e ainda mais expostos à perseguição nazista.

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