Cinco questões sobre as florestas de montanha | Reflorestamento na Tanzânia | DW | 23.11.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Reflorestamento na Tanzânia

Cinco questões sobre as florestas de montanha

O que são as chamadas florestas de montanha, qual a sua função na natureza e o que acontece quando são destruídas? Markus Radday, especialista em florestas tropicais da WWF na Alemanha, esclarece estas e outras questões.

default

Neblina nas montanhas de Uluguru, na Tanzânia

1) O que é uma floresta de montanha?

As florestas de montanha constituem, aproximadamente, um terço de toda a área ocupada por florestas naturais no planeta. Elas estão presentes em todos os continentes (com exceção da Antártida) e crescem acima de 500 metros de altitude. Dada a sua localização, as florestas de montanha são compostas por árvores que não existem nas planícies.

Markus Radday Waldexperte beim WWF Deutschland

Markus Radday

A vegetação está adaptada a um clima mais frio, à alta incidência de chuvas e à intensa radiação ultravioleta. Nas planícies, essas espécies são desbancadas por outras variedades de árvore. Alexander von Humboldt foi o primeiro cientista europeu a descrever essa relação entre mudança de temperatura e vegetação, já em 1801.

2) Que papel as florestas de montanha desempenham na natureza?

As funções mais significativas das florestas de montanha são a retenção de água e a proteção contra a erosão. Além disso, elas têm um papel importante no clima regional. A vegetação é capaz de absorver a água da chuva como uma esponja. Especialmente no caso das florestas de montanha tropicais, a alta taxa de pluviosidade é devolvida lentamente ao meio ambiente em forma de nascentes, córregos e rios.

Com isso, elas garantem uma distribuição uniforme de água ao longo do ano e protegem o solo da erosão. Ao mesmo tempo, as florestas ajudam a resfriar o ar e, assim, contribuem para manter agradável a temperatura da região.

Nas florestas de montanha, a composição de espécies – tanto do reino animal, quanto do vegetal – é completamente diferente da das planícies. Nas montanhas há espécies especialmente adaptadas, que não existem nas áreas planas.

Em função da paisagem desnivelada e das variadas zonas de temperatura, tem-se um número muito mais elevado de habitats diferenciados – que também podem ser bem pequenos. Isso cria ilhas de biodiversidade, dotadas de espécies extremamente específicas.

3) Em que regiões e de que forma as florestas de montanha estão e ameaçadas?

As florestas de montanha são ameaçadas principalmente pela exploração humana, mas também pelas mudanças climáticas. A intervenção humana inclui, por exemplo, o pastoreio excessivo, o corte para lenha e também plantações de café e chá.

As regiões mais ameaçadas são o leste da África (Ruanda, Burundi, Quênia, Tanzânia, Etiópia, Malauí e Uganda), o Himalaia (Nepal, Índia, Paquistão), o Cáucaso (Armênia, Geórgia, Azerbaijão), a Indochina (Laos, Camboja) e Madagascar. Muitas florestas de montanha também já desapareceram quase por completo, como no Caribe, nas Filipinas ou no Mediterrâneo.

4) Os erros cometidos pela Europa no passado são repetidos, atualmente, em outros lugares?

As regiões cársticas (caracterizadas pela corrosão das rochas) do Mediterrâneo eram completamente arborizadas até a Antigüidade. Elas foram desmatadas devido ao consumo de madeira e, posteriormente, foram devastadas pelo excesso de pastoreio e queimadas.

A vegetação sucessora existente hoje também é bastante rica, mas não corresponde à vegetação natural desse local. Ainda assim, as regiões cársticas do Mediterrâneo são paisagens culturais que conseguiram sustentar as populações locais através dos séculos.

5) Qual o papel das florestas de montanha no combate às mudanças climáticas?

Como todas as florestas, elas armazenam quantidades enormes de carbono. Se as matas forem erradicadas, o carbono se transforma em CO2, gás do efeito estufa que, solto na atmosfera, contribui com as mudanças climáticas.

Autor: Martin Schrader (mdm)
Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais