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Mundo

Cinco perguntas que não querem calar sobre a nova fase da crise financeira na Grécia

A Grécia está com a água até o pescoço. Governo e credores europeus chegaram a um acordo sobre um novo programa de resgate. Será o fim da crise? Nem de longe. Cristoph Hasselbach explica por quê.

Um pacote de resgate para a Grécia é algo que soa familiar. Já não teve um antes?

Com certeza. Os credores internacionais já concederam à Grécia dois pacotes de resgate, num total de cerca de 240 bilhões de euros para evitar uma falência do Estado. A ajuda só adiantou temporariamente. Agora, existe novamente a ameaça de falência. No dia 20 de agosto, vence o prazo para o pagamento de mais de 3 bilhões de euros ao Banco Central Europeu, um dinheiro que Atenas não tem. A Grécia poderia quitar essa dívida com um novo empréstimo.

Pagar dívida fazendo mais dívidas – como é que isso pode funcionar?

Isso é algo que muitos se perguntam na Europa. Novos empréstimos só dariam um breve refresco ao país. A Grécia tem dívidas de mais de 300 bilhões de euros. Um novo pacote de resgate – fala-se em mais de 86 bilhões de euros – aumenta ainda mais a dívida. Quando a Grécia recebeu cerca de 100 bilhões de euros de empréstimo, em 2012, já meio ano depois a dívida voltou ao mesmo nível, porque a economia vem encolhendo há anos. O governo finlandês rejeita um novo pacote de ajuda justamente porque até agora o atual método de resgate não funcionou. Há críticas vindas também da Alemanha. Mas, no geral, o governo alemão é a favor do pacote de ajuda. Curiosamente, o próprio primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tinha inicialmente recusado mais empréstimo, porque considerava as exigências dos credores como chantagem.

Por que, então, as negociações?

A priori, se tratam de medidas de emergência. Prazos de vencimento devem ser respeitados. Caso contrário, o governo grego pode ir à falência. Além disso, vários bancos gregos estão à beira da insolvência e têm que ser amparados. Caso a Grécia entre em falência, isso provavelmente resultaria em caos econômico e político. Outros países da zona do euro podem ser arrastados para esse turbilhão. Toda a UE estaria em uma situação crítica. Ninguém quer isso. Portanto, provavelmente os credores voltarão a ter que engolir esse sapo e pagarão novamente.

Mas tem que haver uma contrapartida, certo?

Os credores sempre exigiram dos gregos contrapartidas, na forma de medidas de austeridade, reformas estruturais e privatizações. No entanto, muitas delas não foram implementadas ou implementadas de forma incompleta. O que não surpreende, já que Tsipras foi eleito com a promessa explícita de acabar com a política de austeridade. É por isso que ele agora enfrenta dificuldades dentro de seu partido. Seus críticos da ala mais à esquerda de seu partido, que já é de esquerda, o acusam de traição. Tsipras só conseguiu aprovar no Parlamento as mais recentes medidas de reforma com ajuda da oposição. É possível que ocorra uma divisão no seu partido, o Syriza, e novas eleições sejam convocadas ainda este ano. Enquanto isso, as pessoas já discutem abertamente sobre novas eleições.

Se tudo der certo, um novo pacote afasta definitivamente o risco de falência do Estado grego?

De modo algum. Isso vai depender da capacidade do governo grego de realmente realizar uma reforma profunda do Estado e aumentar a competitividade da economia. Mesmo assim, o país provavelmente vai levar um bom tempo para se recuperar financeiramente. Talvez seja até necessário um novo perdão da dívida. Mas caso a Grécia se recuse a promover reformas, a questão da falência deve voltar à pauta muito em breve. Nesse caso, Atenas provavelmente não poderá mais contar com a boa vontade dos credores. Uma saída do euro seria inevitável.

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