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América Latina

Cinco anos após terremoto, Haiti enfrenta pobreza e impasse político

Acordo para eleições parlamentares no fim do ano não é aprovado antes de acabar a maioria dos mandatos dos congressistas. ONU apela para que ajuda humanitária internacional continue.

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Algumas paredes da Catedral de Porto Príncipe ainda resistem

Cinco anos depois, os vestígios da catástrofe ainda atormentam o Haiti. A população amanheceu, nesta segunda-feira (12/01), lembrando os mortos no dia 12 de janeiro de 2010, quando um terremoto de 7 graus na escala Richter devastou o país mais pobre do hemisfério ocidental. Segundo as autoridades locais, 316 mil pessoas morreram, 300 mil ficaram feridas e 1,5 milhão, desabrigadas.

Hoje, quase 80 mil pessoas continuam desabrigadas. Apesar de não haver mais campos de deslocados em Porto Príncipe, de acordo com a Organização Internacional de Migração, 105 acampamentos foram montados pelo país para receber as vítimas.

Na capital, algumas áreas atingidas pelo terremoto têm verificado progresso na reconstrução e reassentamento, mas grandes terrenos seguem abandonados, com escombros acumulados. No centro da cidade, algumas paredes brancas da antiga catedral ainda resistem. O histórico Mercado de Ferro, no centro, foi completamente destruído, mas reerguido, com minaretes decorativos e uma torre com um relógio.

"No fim das contas, o Haiti sempre vai correr o risco de novos terremotos. A prevenção custa menos do que a reconstrução", diz o sismólogo Claude Preptit.

Protest gegen Präsdient Michel Martelly in Port-au-Prince

Protesto contra o presidente Martelly na capital haitiana

Saúde e segurança

Passados cinco anos, a ONU diz que o Haiti recebeu 80% dos 12,45 bilhões de dólares prometidos por 50 países e agências de cooperação. Cerca de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, em vulnerabilidade. O secretário-geral Ban Ki-moon apelou para que a comunidade internacional continue apoiando o Haiti.

A epidemia de cólera, que começou logo após o terremoto, ainda persiste e já causou 8 mil mortes. As Nações Unidas negam responsabilidade legal pelo início da epidemia, mas evidências indicam que na origem da epidemia está o precário saneamento numa base militar das tropas de paz da ONU.

O apoio da ONU mudou no país nos últimos dez anos. Ele começou com o esforço de restabelecimento da segurança com as tropas de paz. "Com a conquista desse cenário, já se pensava numa diminuição de tropa, mas nos deparamos com um terremoto e entramos na segunda fase, de apoio humanitário e reconstrução. Hoje, a postura das tropas da ONU é muito mais de apoio às instituições nacionais para manter a segurança", disse o comandante da força de paz, o brasileiro José Luiz Jaborandy Júnior, em nota divulgada pela ONU.

O terremoto provocou imensa demanda por assistência à saúde mental, o que acaba sendo mais um grande desafio para um país com apenas 10 psiquiatras para 10 milhões de pessoas. "O impacto do terremoto na saúde mental é gigante e extremamente profundo. Alguns perderam todos os limites e referências devido a grandes perdas. Nós ainda temos pessoas chegando às clínicas com problemas mentais relacionados ao terremoto", disse à agência de notícias Reuters o médico Reginald Fils-Aime.

Incertezas políticas

O histórico Palácio Nacional, cujas ruínas foram por muito tempo um símbolo involuntário do precário governo haitiano, foi demolido, e os escombros do prédio foram removidos. Os desafios para levar harmonia à política haitiana, porém, ainda são imensos. Governo e oposição não se entendem sobre a realização de eleições parlamentares, atrasadas desde 2011.

No domingo, um dia antes do término do mandato dos parlamentares, o presidente Michel Martelly e cerca de 20 líderes políticos anunciaram um acordo para convocar eleições no final deste ano. O Parlamento, porém, não chegou a ratificá-lo. A situação cria um vácuo institucional e político.

Nos últimos dias, grupos oposicionistas protestaram nas ruas de Porto Príncipe, acusando Martelly de esperar acabar a legislatura para governar o país por decreto. Por outro lado, o governo acusa a oposição pela não aprovação de uma lei eleitoral.

Haitis Präsdient Michel Martelly

Martelly pode agora governar por decreto

O acordo, contudo, foi saudado pela União Europeia (UE). "O Haiti precisa da emergência de um governo estável e efetivo e uma oposição construtiva, que estejam acima das diferenças partidárias, para guiar o país a um desenvolvimento sustentável", disse a alta representante da UE para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini.

A UE é um dos principais atores externos que ajudam a reconstruir o Haiti após o terremoto. Mesmo com todo o apoio, a estrutura política e administrativa do país parece instável para que os recursos externos fluam de forma apropriada. "Eu espero que todos os atores políticos no Haiti assumam as suas reponsabilidades por estabilidade e progresso. A prioridade deveria ser dada à renovação legislativa através de eleições justas e abertas o mais rápido possível", disse Mogherini.

Made in Haiti

O Haiti ocupa a 209ª posição entres as economias mundiais, atrás de Serra Leoa, Coreia do Norte e Bangladesh. Metade do orçamento do governo vem de doadores. O desemprego atinge cerca de 30% da população. No entanto, esse país tão pobre é vizinho do imenso mercado norte-americano e das economias emergentes da América Latina. Talvez essa posição geográfica motive algumas visões otimistas sobre o Haiti.

Alguns acreditam que o país poderia criar empregos na indústria, idealizando uma espécie de Taiwan do Caribe. É a aposta dos investidores da empresa Sûrtab, que, em junho de 2013, iniciou a produção de tablets com o sistema operacional Android em Porto Príncipe. Desde que abriu, a Sûrtab expandiu a sua produção para 20 mil unidades para o mercado local, caribenho e africano.

Agora oferece formação técnica para 60 mil trabalhadores haitianos. O diretor-geral, Diderot Musset, diz que a empresa espera triplicar a produção em 2015, mas admite que mesmo os haitianos suspeitam dos objetivos da empresa. "Até eles virem aqui e enxergarem as instalações da empresa, eles não acreditavam que nós realmente estavamos fazendo isso no Haiti. Nós temos trabalhadores que vão para casa e explicam o que estão fazendo aqui, mas as pessoas não acreditam", disse.

MP/afp/rtr/ap

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