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Mundo

Cientistas protestam após condenações de sismólogos na Itália

Justiça italiana condenou seis cientistas e um funcionário do governo por não alertarem a população sobre os riscos do terremoto que atingiu L'Aquila em 2009.

A condenação de seis sismólogos e um funcionário do governo por subestimar os riscos de um grande terremoto que matou mais de 300 pessoas na Itália, em 2009, causou protestos entre a comunidade científica internacional.

Nesta terça-feira (23/10), vários cientistas se manifestaram sobre o veredicto, visto por eles como um golpe perigoso para a liberdade científica. "O veredicto é perverso e a sentença é ridícula", afirma um editorial da prestigiada revista Nature.

Michael Halpern, da Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Comprometidos), disse que sem o direito de falar de forma livre e independente, os cientistas se tornam vulneráveis ​​a perseguições.

"Os cientistas devem estar em condições de compartilhar o que sabem – e admitir o que não sabem – sem medo de serem responsabilizados criminalmente se não acertarem as suas previsões", escreveu Halpern em um blog.

Bill McGuire, professor de riscos geofísicos e clima da University College London, descreveu o veredito como "extremamente alarmante".

"Se isso estabelece um precedente, vai ser impossível para os governos convencer um cientista a participar de um painel de avaliação de riscos naturais", disse McGuire, em citações relatadas pela Science Media Centre, do Reino Unido. "A longo prazo, esta decisão irá custar vidas, não salvá-las."

Cerca de cinco mil cientistas, incluindo alguns dos principais acadêmicos do mundo, publicaram uma carta aberta para condenar as acusações e destacar que é impossível prever com exatidão quando um terremoto acontecerá.

Renúncia pela falta de liberdade científica

Italien Erdbeben Prozess

Bernardo De Bernardinis, vice-diretor de Proteção Civil, é um dos condenados

O chefe do comitê italiano de especialistas em catástrofes naturais renunciou nesta terça-feira (23/10), após a condenação dos antigos membros.

"Eu não vejo condições para trabalhar em tranquilidade", disse o presidente do Comitê Nacional de Grandes Riscos, o físico Luciano Maiani, à agência de notícias Ansa. Outros membros do comitê também deverão renunciar, disse Maiani.

A comissão, nomeada pelo governo da Itália, informa às autoridade de proteção civil sobre os riscos de terremotos, erupções vulcânicas, incêndios florestais, catástrofes químicas, enchentes e deslizamentos de terra.

A condenação

Nesta segunda-feira, o tribunal da cidade italiana de L'Aquila condenou seis cientistas e um funcionário do governo por várias acusações de homicídio culposo. Eles não alertaram a população sobre o risco de um grande tremor nos dias que antecederam o terremoto de magnitude 6.3 que causou a morte de 309 pessoas.

Entre os acusados figuram grandes nomes da ciência na Itália, como o
professor Enzo Boschi, até recentemente presidente do Instituto de Geofísica
e Vulcanologia, e o professor de física da Universidade de Gênova Claudio
Eva.

Cada um dos réus foi condenado a uma pena de seis anos de prisão, mas nenhum foi imediatamente preso. Nas leis italianas, as condenações só passam a valer após a realização do julgamento de recurso. Eles também foram condenados a pagar mais de 9 milhões de euros em indenizações.

Os sete são membros do Comitê Nacional de Grandes Riscos, que se reuniu em L'Aquila seis dias antes do terremoto.

O procurador-geral Fabio Picuti pediu pena de prisão para os cientistas alegando que eles forneceram uma "incompleta, inepta, inadequada e criminalmente equivocada" análise, deixando os moradores com um falso senso de segurança.

Picuti comparou o comitê com a Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (Fema, sigla em Inglês), que não conseguiu prever o furacão Katrina, responsável pela destruição de grande parte de Nova Orleans em 2005.

O advogado do governo, Carlo Sica, que defende os sete réus, pediu a absolvição de todos, alegando que protocolos da reunião que aconteceu seis dias antes do terremoto não podem ser usados como prova porque eles foram assinados depois da catástrofe.

O comitê havia se reunido na cidade para avaliar os riscos de um terremoto, depois que uma série de pequenos tremores nas semanas anteriores espalhou o pânico entre a população. O vice-diretor de Proteção Civil, Bernardo de Bernardinis, deu entrevistas após a reunião afirmando que não havia perigo. Ele foi condenado nesta segunda-feira.

A defesa salientou que prever com precisão um terremoto é impossível, uma posição apoiada por pesquisadores internacionais.

Antes do terremoto, um morador de L'Aquila fez predições amadoras de que haveria um tremor, com base nos níveis de gás radônio na terra, mas a validade dos seus métodos foi contestada.

AFN/afp/dpa/rtr/lusa
Revisão: Alexandre Schossler

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