Cientistas procuram controlar os efeitos colaterais do tratamento da aids | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 01.12.2009
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Mundo

Cientistas procuram controlar os efeitos colaterais do tratamento da aids

Em todo o mundo, mais de 33 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da aids. Diversos medicamentos que controlam a multiplicação do vírus mostram bons resultados, mas não excluem sérios efeitos colaterais.

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Distribuição de medicamentos contra HIV na África

Atualmente, os medicamentos que controlam a reprodução do HIV prolongam a vida dos portadores do vírus da aids. De fato, trata-se de uma vitória da medicina. Após a descoberta do HIV, em poucos anos, pesquisadores encontraram e desenvolveram agentes através dos quais a multiplicação do HIV pode ser controlada.

A aids não é curável, mas a infecção pelo HIV já pode ser tratada hoje. A manifestação da síndrome da imunodeficiência pode ser retardada por vários anos.

Barreira contra reprodução

Através da combinação de vários agentes antivirais é possível impedir a multiplicação do HIV. Cada agente bloqueia um estágio específico no ciclo de vida do vírus. No entanto, esses medicamentos implicam uma série de efeitos colaterais.

Já no começo do tratamento, os pacientes se queixam de vários problemas como diarreia, cansaço, reações alérgicas da pele até perda da sensibilidade tátil e neuralgias. E sabe-se que alguns agentes complicam o metabolismo.

Entrementes, os médicos podem escolher entre mais de 20 remédios para elaborar uma combinação mais eficaz e compatível. Isso não resolve, no entanto, todos os problemas.

Nos últimos anos, os médicos descobriram que os pacientes com HIV medicados durante anos correm maior risco de sofrer um infarto do que outras pessoas. O risco de contrair determinados tipos de câncer também aumenta.

HIV acelera o envelhecimento

A ação e os efeitos colaterais dos remédios não são os únicos motivos do aumento de risco de infarto do miocárdio ou de uma maior suscetibilidade para a diabetes adulta. Fato é que nenhum tratamento suspende por completo a ação do HIV, o que significa que o vírus continua operando, acelerando o envelhecimento.

Eine HIV - Infizierte und ihr täglicher Pillen - Cocktail

Combinação de agentes virais prolongam vida dos pacientes

Peter Hunt, professor de Medicina na Universidade da Califórnia em São Francisco, explicou que "apesar do êxito dos medicamentos em impedir a multiplicação do vírus, muitos pacientes apresentam sinais de um envelhecimento precoce. E, mesmo ainda jovens, podem contrair diversas doenças que não têm a ver com a aids."

O que acelera então o envelhecimento? Possivelmente são processos inflamatórios no organismo. Mas qual a causa de tais reações inflamatórias?

Inflamações contínuas no corpo

Para compreender melhor o fenômeno, os pesquisadores da aids vão atrás de diversas pistas. Um modelo explicativo é que o vírus da aids também se hospeda em células que não se dividem. Ao serem ativadas, tais células liberam os vírus, aos quais o sistema imunológico reage com uma espécie de inflamação.

É possível também que os infectados pelo vírus HIV reajam de forma mais aguda a outros vírus, principalmente ao chamado citomegalovirus (CMV), da família do herpes. Uma terceira causa para a infecção latente no corpo de infectados por HIV poderia ser o intestino.

No começo da infecção, o vírus da aids provoca vários danos nesse órgão. Provavelmente, isso modifica a constituição da mucosa intestinal, tornando-a mais permeável. Assim, pequenos fragmentos de bactérias podem entrar na corrente sanguínea, outro eventual motivo de inflamação.

Para Peter Hunt, o principal é localizar a causa das infecções a fim de poder tratá-las de forma direcionada. E talvez isso permita conter o envelhecimento precoce dos pacientes de HIV.

Autor: Martin Winkelheide (ca)

Revisão: Simone Lopes

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