Cientistas contestam dados oficiais sobre extensão do vazamento no Golfo | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 19.08.2010
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Ciência e Saúde

Cientistas contestam dados oficiais sobre extensão do vazamento no Golfo

Para pesquisadores norte-americanos, 80% do petróleo que escapou da poço da BP continua no oceano. No início deste mês, Washington havia afirmado que o Golfo do México já teria se livrado da maior parte da poluição.

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Praticamente 80% do petróleo vazado pode estar no oceano

O governo norte-americano pode ter subestimado a extensão do desastre provocado pelo vazamento de petróleo no Golfo do México. É o que acreditam cientistas da Universidade da Geórgia, nos EUA: segundo os pesquisadores, praticamente 80% do petróleo que escapou do poço da BP continuam no mar.

"A ideia de que 75% do petróleo teria sumido e que não haveria mais preocupação ambiental é absolutamente incorreta", afirmou Charles Hopkinson, membro da equipe que reexaminou as estimativas.

O grupo formado por cinco cientistas fez uma nova análise dos relatórios produzidos pelo governo norte-americano e, ao fim do trabalho, concluiu que entre 70% a 79% do petróleo ainda está no oceano.

No dia 4 de agosto último, a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional (NOAA) havia afirmado que a maior parte do petróleo que vazou no desastre protagonizado pela BP teria se dissipado.

"Pelo menos 50% do petróleo liberado já desapareceu completamente do sistema. E a maior parte do que sobrou está se degradando rapidamente ou sendo removida das praias", afirmou à Casa Branca na ocasião Jane Lubchenco, diretora do NOAA.

No fundo do oceano

Um outro estudo conduzido pela Universidade do Sul da Flórida indica que o petróleo foi encontrado no cânion submarino DeSoto, local rico em nutrientes importantes para a sobrevivência de espécies submarinas. Hopkinson insiste que uma das ideias mais errôneas é a de que o petróleo teria se dissolvido na água e se tornado, desta forma, inofensivo.

O cientista Ed Overton, da Universidade de Louisiana, acredita que ambos os estudos, o do governo e o divulgado pelos pesquisadores da Universidade do estado da Geórgia, são imprecisos. "O relatório da NOAA foi feito para ajudar no processo de reação ao ocorrido e o da Geórgia foi feito para dizer 'olha, há potencial de danos particularmente no oceano'."

Ainda segundo Overton, tanto a NOAA quanto os cientistas encarregados pelas universidades fazem uso de estimativas, ou seja, de suposições. Overton acredita que uma avaliação completa da situação no Golfo levará no mínimo dois anos para ser concluída.

NP/rts/afp
Revisão: Soraia Vilela

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