Cientistas comemoram cura de ex-soropositivo que já dura três anos | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 15.12.2010
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Ciência e Saúde

Cientistas comemoram cura de ex-soropositivo que já dura três anos

Três anos depois de receber células-tronco de uma medula óssea, paciente não apresenta mais o vírus do HIV em seu corpo. Mas ainda é cedo para declarar vitória contra a doença.

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Mundo tem mais de 30 milhões de infectados

O estudo é de alto impacto: cientistas alemães confirmaram que um cidadão norte-americano, que vive em Berlim, foi curado da infecção causada pelo vírus HIV depois de ter recebido um transplante de células-tronco em 2007.

"Concluindo, nossos resultados sugerem claramente que a cura para o HIV foi alcançada nesse paciente", escreveram os pesquisadores no resumo do artigo científico publicado na semana passada pela revista Blood, um periódico especializado.

O documento é resultado de um estudo de acompanhamento de pacientes realizado pela mesma equipe alemã, publicado em fevereiro 2009 pelo New England Journal of Medicine. Aquele estudo já havia revelado que "o paciente permaneceu sem manifestação viral 20 meses após o transplante e da interrupção da terapia antiretroviral."

"Não conseguimos achar o HIV em suas células", disse o médico Gero Hütter, hematologista e professor na Universidade de Heidelberg e coautor da nova publicação. Em entrevista à Deutsche Welle, Hütter afirmou que "as novas células têm uma resistência natural contra o HIV."

Há três anos, Timothy Ray Brown deu início ao tratamento de leucemia como soropositivo. Antes de receber o transplante de células-tronco, Brown passou por uma intensa quimioterapia para substituir completamente seu sistema imunológico.

Contudo, as novas células-tronco recebidas tinham uma mutação genética rara, encontrada naturalmente em apenas 1% dos caucasianos no norte e leste da Europa. A mutação faz com que algumas células sejam desprovidas de um receptor particular, conhecido como CCR5, com o qual o HIV se liga. Na época, Hütter estava procurando especificamente por doadores de células-tronco de medula óssea com essa característica.

Desde que passou por esse tratamento, o chamado "o paciente de Berlim" foi efetivamente curado da aids, do vírus causador da doença, o HIV, e também da leucemia. Isso faz de Brown efetivamente a primeira pessoa que, até agora, foi curada do HIV entre os mais de 30 milhões de infectados no mundo atualmente.

Cientistas haviam notado previamente um número muito pequeno de casos em que o vírus não se reproduz dentro do organismo e que, portanto, não causa a aids. Contudo, os chamados "não-progressivos" representam uma porcentagem extremamente pequena dos pacientes com HIV.

Um passo intrigante

Após a divulgação da pesquisa realizada na Alemanha, especialistas em aids e HIV no mundo todo estão começando a avaliar essa descoberta importante.

"É intrigante que esse paciente não tenha sofrido uma recorrência da reprodução do vírus", disse Jens Lundgren, pesquisador e professor da Universidade de Copenhague em entrevista à Deutsche Welle. "Eles certamente provaram que não há infecção residual aparente nesta pessoa. E o HIV tem múltiplas oportunidades de se reproduzir."

Outro pesquisador alemão, Jan Van Lunzen, do Hospital Universitário Eppendorf, em Hamburg, concordou com a avaliação: "Aparentemente, até agora, este paciente é um dos que podemos chamar de curado do HIV. Este é o único caso conhecido até agora", afirmou.

Lundgren salienta ainda que os pesquisadores não podem se ater, contudo, à ideia de terem descoberto a cura para a aids baseado-se apenas em um caso muito particular. "Não podemos dar declarações sobre cura baseados em um único paciente", apontou o pesquisador, que não faz parte da equipe ligada ao recente estudo com o paciente berlinense. "Isso tem que ser analisado de forma muito mais abrangente, e levanta a questão: quem quer se submeter a um transplante de células-tronco?", pergunta o especialista.

Hütter e seus colegas, no entanto, dizem que a técnica do CCR5 tem boas chances de se tornar um novo método de tratamento, ou talvez até de curar o HIV no futuro. "Provavelmente, em cinco, dez, vinte anos, existirão técnicas e procedimentos que podem eliminar o CCR5 de uma forma mais completa e que substituirá a medicação atual e a terapia antiretroviral", finaliza.

Autor: Cyrus Farivar (np)
Revisão: Soraia Vilela

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