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Ciência e Saúde

Cientistas anunciam "cura" de bebê infectado pelo vírus HIV

Pesquisadores norte-americanos relatam caso de "cura funcional" de uma criança que recebeu um tratamento com antirretrovirais logo após o nascimento. É o primeiro caso de um bebê "curado" do vírus HIV.

Pesquisadores dos EUA anunciaram neste domingo (04/03) o que pode ser o primeiro caso de "cura funcional" de um bebê portador do vírus HIV, causador da aids.

Durante uma convenção médica em Atlanta, nos Estados Unidos, os médicos relataram o caso de um bebê que nasceu com o vírus, transmitido pela mãe, e que, depois do tratamento, não apresenta mais traços de contaminação no sangue, sem que para isso seja necessário o uso de medicamentos.

"Essa é a prova de que o vírus HIV pode ser potencialmente curado nos bebês", afirmou a virologista Deborah Persaud, da Universidade John Hopkins, de Baltimore, ao apresentar as descobertas.

Tratamento precoce

Os cientistas acreditam que o sucesso se deve ao início precoce do tratamento, o que impediu a formação das células chamadas "reservatórios virais". Essas células contaminadas "dormentes" são difíceis de tratar e relançam a infecção algumas semanas após a suspensão dos antirretrovirais.

O bebê, uma menina do estado do Mississipi, começou a ser tratado com antirretrovirais apenas 30 horas após o nascimento. Ela recebeu uma mistura de três drogas, um tratamento mais rápido e intenso do que o convencional.

O bebê foi contaminado pela mãe durante a gravidez. Até o início do trabalho de parto, os médicos não sabiam que a mãe era soropositiva, e por isso a criança não recebeu nenhum cuidado especial contra a infecção durante o período pré-natal. Os tratamentos antirretrovirais na mãe permitem evitar a transmissão do vírus ao feto em 98% dos casos, segundo especialistas.

Caso raro

Uma "cura funcional" não significa que o vírus foi completamente eliminado do sangue, mas que ele se enfraqueceu a tal ponto que o sistema imunológico do paciente consegue controlá-lo sem a ajuda de antirretrovirais.

O bebê recebeu a medicação, uma mistura de drogas convencionais normalmente utilizadas no tratamento contra o HIV, até completar um ano e meio de idade. Após esse período os médicos perderam o rastro da doença. Persaud afirma que a criança, hoje com dois anos e meio, esteve quase um ano sem medicação e sem apresentar nenhum sinal do vírus.

A supressão sem tratamento da carga viral do HIV é algo muito raro, ocorrendo em menos de 0,5% dos casos de adultos infectados.

Serão realizados novos estudos para atestar se o tratamento precoce, da forma como foi aplicado no bebê do Mississipi, poderá funcionar também em outras crianças.

RC/lusa/rtr/ap
Revisão: Alexandre Schossler

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