Cientista político é condenado no Irã após entrevista à DW | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.03.2018
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Mundo

Cientista político é condenado no Irã após entrevista à DW

Justiça iraniana condena Sadegh Zibakalam a 18 meses de prisão por fazer "propaganda contra a República Islâmica". Professor conversou com a redação persa da Deutsche Welle em janeiro sobre onda de protestos no país.

Sadegh Zibakalam iranischer Reformer (Nasim)

Sadegh Zibakalam é professor da Universidade de Teerã e autor de vários livros

O cientista político iraniano Sadegh Zibakalam foi condenado nesta terça-feira (13/03) a 18 meses de prisão pela Justiça de seu país, que o acusa de fazer propaganda contra o regime. A decisão cita declarações dele durante entrevista a um "veículo de imprensa estrangeiro de língua persa".

Em janeiro, o professor da Universidade de Teerã conversou com a redação persa da Deutsche Welle sobre a onda de protestos antigovernamentais ocorridos entre o fim de 2017 e o início deste ano em todo o Irã, resultando em mais de 20 mortes e cerca de 450 prisões.

Conhecido por suas críticas à política externa adotada pelo Irã, especialmente à rivalidade com Estados Unidos e Israel, Zibakalam foi acusado pela Justiça iraniana de ter espalhado "informações falsas" e feito "propaganda contra a República Islâmica" durante a entrevista.

Além dos 18 meses de prisão, o acadêmico foi proibido de fazer discursos públicos, publicar artigos, dar entrevistas ou se manter ativo em redes sociais e outras páginas na internet por dois anos.

Em conversa pelo telefone com a DW imediatamente após receber o veredicto nesta terça-feira, Zibakalam afirmou que vai recorrer da sentença. Ele citou ainda um trecho da decisão que descrevia a Deutsche Welle como um "site hostil e contrarrevolucionário".

Para o diretor-geral da DW, Peter Limbourg, "classificar a imprensa de hostil é algo sintomático de ditaduras". "Eles parecem estar cientes de sua própria fraqueza ao proferir veredictos como esse. Nós vamos monitorar o caso do professor Zibakalam de perto e apoiá-lo", afirmou Limbourg.

Já Alexander Freund, chefe do Departamento Ásia da DW, disse que as alegações contra o iraniano são completamente infundadas. "As represálias contra nosso entrevistado são absolutamente inaceitáveis." A DW em língua persa é bloqueada no Irã desde 2009.

Segundo o Código Penal do Irã, crimes relacionados à propaganda podem gerar sentenças de três a 12 meses de prisão. O professor universitário recebeu uma pena mais severa por ser considerado um "reincidente". Em 2014, ele foi condenado a 18 meses de prisão sob a mesma acusação, mas a sentença foi mais tarde reduzida a uma multa.

Em sua entrevista à DW em janeiro, Zibakalam mencionou a "decepção dos manifestantes" com a situação atual no Irã e afirmou que, "se houvesse agora um referendo sobre o sistema político no país, 70% das pessoas votariam contra a República Islâmica".

Zibakalam estudou ciência política na Universidade de Bradford, na Inglaterra. É autor de diversos bestsellers, como How did we become what we are? (Como nos tornamos o que somos?, em tradução livre) e An introduction to Islamic Revolution (Uma introdução à Revolução Islâmica).

EK/dw/afp/rtr

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