Cientista alemão diz que doping genético substituiu hormônio sintético | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 18.08.2009
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Alemanha

Cientista alemão diz que doping genético substituiu hormônio sintético

Especialista da Escola Superior de Esporte de Colônia diz que doping genético é utilizado há muito tempo para melhorar o rendimento esportivo. Atletas que dispõem de tais substâncias têm imensa vantagem, diz cientista.

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Muitas substâncias de doping podem ser compradas pela internet, diz especialista

O tema doping também está presente no 12° Mundial de Atletismo em Berlim. A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) tem conhecimento de vários perfis sanguíneos suspeitos.

Na Escola Superior de Esporte de Colônia, na Alemanha, estão alguns dos mais importantes especialistas alemães em doping. Patrick Diel, especialista em doping genético em Colônia, afirmou à Deutsche Welle que suspeita que essa espécie de manipulação para melhorar o rendimento esportivo já seja utilizada há muito tempo.

Negócio ilícito

24.10.2008 DW-TV Projekt Zukunft Doping 05

Doping genético é difícil de ser comprovado

Em sua opinião, há muito que o doping pelo hormônio sintético Epo (eritropoietina) foi substituído por um medicamento que estimula os genes a produzirem Epo de forma natural.

Segundo o especialista, trata-se de uma das maiores ameaças atuais em termos de doping genético. O atleta que neste momento tiver essa substância em mãos teria uma imensa vantagem, pois não precisaria ter medo de ser testado positivo, já que tal doping ainda não pode ser provado, explicou.

Tal medicamento foi desenvolvido para pessoas que sofrem de anemia. Com a ajuda dessa substância, elas podem voltar a produzir glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio. Devido a diversos efeitos colaterais, os primeiros testes clínicos foram interrompidos.

No entanto, segundo o biólogo molecular de Colônia, isso não impediria atletas de competição de usá-los. "Até agora, tratando-se de doping, o aparecimento de efeitos colaterais não interessou a ninguém".

Segundo Diel, colocar superdrogas à disposição de atletas não é intenção da indústria farmacêutica. "Mas quando isso está em fase de desenvolvimento clínico, nada impede de algumas pessoas tomarem alguns comprimidos ou vendê-los a X,Y, Z , dispostos a pagar 20 mil ou 30 mil euros", afirmou.

Miostatina

Da mesma forma acontece com a miostatina. Trata-se de uma proteína que inibe o crescimento muscular. Ao se impedir o funcionamento do gene da síntese da miostatina, os músculos crescem de forma exagerada.

Esse medicamento foi desenvolvido para pacientes com fraqueza ou atrofia muscular. E os primeiros resultados de um estudo clínico prometem bastante a atletas potenciais usuários de doping. Até agora, não foi constatado nenhum efeito colateral prejudicial.

Patrick Diel explicou que, por esse motivo, a miostatina pode desempenhar um importante papel no doping. "É só fazer uma busca por miostatina na máquina de buscas". O interesse é imenso, acresceu.

Compra pela internet

Outro ponto abordado pelo cientista é o fato de quase todas as substâncias usadas no doping, como também hormônios de crescimento e anabolizantes, serem oferecidos através da internet. Segundo Diel, somente pouquíssimos atletas deixariam de usar preparados que aumentam o rendimento esportivo.

Diel explicou que pesquisas de opinião procuraram saber a porcentagem de atletas que aceitariam o seguinte trato: "Se você tomar isso daqui, você vai estar certamente no pódio dos próximos Jogos Olímpicos. Mas, provavelmente, você vai morrer dez anos mais cedo". Segundo o especialista em doping genético, 80% dos atletas entrevistados disseram que aceitariam a proposta.

Autora: Judith Hartl

Revisão: Roselaine Wandscheer

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