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América Latina

CIDH contesta versão oficial sobre massacre no México

Grupo de especialistas designado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos aponta inconsistências científicas na explicação da Procuradoria Geral sobre desaparecimento de 43 estudantes.

O grupo de especialistas independentes designado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para investigar o alegado massacre de 43 estudantes de Ayotzinapa, no México, rejeitaram neste domingo (06/09) a versão oficial sobre o desaparecimento ocorrido há quase um ano.

Os especialistas afirmaram que a versão de que os jovens foram assassinados e tiveram seus corpos queimados por um grupo de traficantes de drogas tem inconsistências científicas.

Após seis meses de inquéritos, o grupo designado pela CIDH afirma que os estudantes não foram queimados num lixão do povoado de Cocula. A procuradoria garante que eles foram detidos por policiais do município de Iguala e entregues a um grupo de criminosos que ao confundi-los com integrantes de um grupo rival, os assassinou e queimou.

"Com base nas declarações dos responsáveis por essa versão, decidimos solicitar a ajuda de um perito independente e visitamos o lixão", disse o advogado chileno Francisco Cox.

O especialista peruano José Torero, que trabalhou em investigações após a queda das Torres Gêmeas, em Nova York, concluiu que, para incinerar os 43 corpos ao ar livre seriam necessárias 60 horas e 30 mil quilos de madeira. "Um suspeito disse que o tempo máximo que estiveram lá foi de 16 horas", disse Cox.

Além disso, considerando a dimensão das chamas, estas deveriam ter sido vistas pelos moradores de Cocula, o que não aconteceu. "Por essas razões, o Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) acredita que os jovens não foram queimados no lixão de Cocula", afirmou Cox.

Agressão e tráfico

O grupo de especialistas voltou a criticar a ocultação de provas – como objetos que pertenciam aos estudantes e que recentemente foram enviados à Áustria para análise e um vídeo do momento em que os jovens foram presos em Iguala.

"O medo persiste na região. As testemunhas têm medo de falar sobre o que aconteceu", disse o especialista espanhol Carlos Beristán, ao comentar as dificuldades que o grupo enfrentou durante a apuração dos fatos.

O GIEI elencou um grande número de falhas na investigação e disse que há indícios de que cinco dos detidos pelo crime tenham sido torturados durante os interrogatórios. Os familiares dos jovens nunca acreditaram nas conclusões do ex-procurador-geral do México, Jesús Murillo, que, segundo advogados, teria tratado de encerrar um caso que incomodava o governo. Os especialistas também criticaram o papel da Polícia Federal e do Exército, que estavam conscientes da movimentação dos estudantes e não evitaram o desaparecimento.

O GIEI disse que o governo fez relatórios confusos sobre a existência de um quinto ônibus no qual os estudantes viajavam e que poderia ter drogas e dinheiro do cartel Guerreros Unidos. O grupo atua na região e teria tratado de recuperar o dinheiro e as drogas contando com a cumplicidade das forças de segurança.

Os especialistas exigiram que se continuem as buscas pelos estudantes, porque eles seguem tendo o status de desaparecidos.

MP/dpa/efe/rtr

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