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Mundo

CIA na Europa: Alemanha envolvida em "atos ilegais"

Em seu segundo relatório sobre as atividades ilegais da CIA na Europa, o relator suíço Dick Marty apresenta provas de prisões ilegais por parte de agentes americanos no continente europeu.

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Dick Marty, jurista suíço e relator do Conselho da Europa

Dick Marty, presidente da Comissão dos Assuntos Jurídicos do Conselho da Europa e responsável pelo inquérito sobre as atividades ilegais da CIA no continente, anunciou em Paris, nesta sexta-feira (08/06), a existência de provas sobre prisões ilegais por parte de agentes norte-americanos na Europa.

Marty apresentou a segunda parte do relatório de inquérito sobre as atividades ilegais da CIA na Europa. Entre 2002 e 2005, segundo o relator, teriam existido prisões secretas norte-americanas na Polônia e na Romênia com a permissão de seus então presidentes, Aleksander Kwasniewski e Ion Iliescu.

Segundo o relatório, os EUA teriam assinado um acordo secreto com seus parceiros da Otan, em 2001, para permitir práticas ilegais como seqüestro e prisão de suspeitos de terrorismo. O relator suíço baseou-se em informações dos serviços secretos norte-americanos, da Polônia e Romênia, bem como em investigações sobre planos de vôos.

Combate ao terrorismo para exportação

Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o objetivo da CIA, afirmou Marty em entrevista ao diário francês Le Figaro, foi a exportação "da luta contra o terrorismo para fora dos EUA". Desta forma, o serviço secreto queria se livrar "das obrigações jurídicas" previstas pela lei norte-americana.

Spanien - CIA-Flüge

Vôos secretos transportaram suspeitos de terrorismo

Países europeus foram usados como subsidiários à prisão de suspeitos de atos terroristas. Apesar das provas de conivência de determinados governos com os atos ilegais da CIA, a postura norte-americana seria, na opinião do relator, um testemunho da "falta de respeito em relação aos parceiros europeus – uma atitude vergonhosa", afirmou Marty.

Os Estados Unidos quiseram empreender uma guerra sem regras contra o terrorismo, acrescentou o relator. Segundo Marty, os suspeitos presos na Europa teriam sido freqüentemente enviados a países como a Síria, a fim de serem torturados.

No relatório apresentado em junho passado, Marty havia culpado a Alemanha e 13 outros países europeus de haverem cooperado com os norte-americanos no transporte de suspeitos de terrorismo. Em setembro último, os Estados Unidos admitiram a existência de prisões secretas fora de seu território.

Alemanha e Itália

USA Guantanamo Gefangerner in Handschellen

Suspeitos foram transportados para Guantánamo

Na segunda parte de seu relatório, o parlamentar suíço acusou "especialmente a Alemanha e a Itália" de impedirem o esclarecimento dos vôos secretos da CIA na Europa, por haverem classificado o objeto de investigações como "segredo de Estado".

A cláusula do segredo teria sido usada para dificultar o esclarecimento por parte de parlamentares ou para impedir as investigações pela Justiça, afirmou Marty.

O governo norte-americano admitiu a existência de vôos secretos para o transporte de suspeitos de terrorismo a países estrangeiros. Os EUA negaram, no entanto, as acusações de tortura. O governo alemão reforçou sua posição de não ter tomado conhecimento do transporte clandestino de suspeitos a Guantánamo. (ca)

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