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Especial

Christoph Schlingensief: rebelde com causa

Vincular arte ao cotidiano é uma das máximas do trabalho de Christoph Schlingensief, um diretor sempre em busca do conflito e da provocação.

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'Diante do dinheiro, somos todos iguais'

A aparência discreta de bom moço, filho de farmacêutico, nascido em 1960, em Oberhausen, não combina com a imagem veiculada pela imprensa, que não perde nenhuma oportunidade de insultá-lo. "A rejeição quase unânime indica talvez uma resistência a enfrentar o incômodo", opinam os que o defendem.

Crianças crescem

Quando, aos 20 anos, Christoph Schlingensief começou a ficar conhecido do público em função de seus longa-metragens, ele não passava, na visão dos meios de comunicação, de um menino malvado e histérico, em plena puberdade.

Vinte anos mais tarde, parece que nada mudou. A imprensa continua rejeitando sua pessoa, só que com uma diferença: para ele, esta postura é até bem-vinda agora, servindo de publicidade para seu trabalho.

Pelo visto, Schlingensief se cansou do rótulo de enfant terrible. Suas estratégias são claras: fornecer com prazer informações sobre seu trabalho e manter uma aparência tranqüila, nem muito afoito, nem tímido. Ou seja, Schlingensief é o melhor relações-públicas de seu trabalho.

As aparências enganam

Götterdämmerung nach Schlingensief

Schlingensief encena 'Parsifal', de Richard Wagner, em Bayreuth

O homem atacado pelos críticos confere realmente com a descrição que costumam fazer dele: discreto, católico e nascido num lugar extremamente pequeno-burguês. Para muitos espectadores, fica difícil acreditar como este rapaz de aparência simpática possa ser o mesmo que levou à tela um "massacre alemão de serras elétricas", pôs em cena orgias entorpecentes e dedicou uma temporada teatral a neonazistas.

"As pessoas acreditam que meus filmes foram feitos por um louco depravado e, quando me vêem, desconfiam. Quando, além disso, vêem que posso me comunicar e argumentar, ficam completamente confusas", diz.

Depois da apresentação de uma peça no Volksbühne, em Berlim, um grupo de jovens começou a questioná-lo: "O que você quer nos dizer com isso?" Esta não é, na opinião de Schlingensief, a pergunta correta: "Fomos educados para reconhecer uma coisa unicamente através de sua função, somente assim sabemos para que tudo existe".

O interessante, porém, para Schlingensief, é aquilo que não tem função. Fazendo com que um dos pilares de seu trabalho seja exatamente esse: combater a forma e a função.

A incerteza faz a arte

A compulsão pelo funcionalismo é suprida, no caso de Schlingensief, por uma propensão ao experimentalismo. A improvisação é um elemento fundamental em seu trabalho. A encenação de uma de suas peças numa noite nunca será parecida com a da noite seguinte, pois o resultado de um experimento será sempre diverso do outro.

Num de seus primeiros filmes, Tugunska (1984), Schlingensief declarou guerra ao cinema de narrativas, utilizando um verdadeiro bombardeio acústico e visual e ironizando desta forma a "vanguarda" – o que continua fazendo até hoje.

Muitas de suas manias já puderam ser percebidas quando ele era ainda bem jovem, como o costume enlouquecedor de colocar seus personagens para correr aos gritos.

Em seus filmes, Schlingensief sempre preferiu personagens que agem de forma teatral. Além da vontade de assustar o espectador, já se podia ver ali seu interesse especial pelo teatro, que viria a ser, mais tarde, seu outro meio de expressão artística.

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