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Mundo

Chirac e Stoiber querem reativar motor da UE

O candidato a chanceler federal da Alemanha Edmund Stoiber e o presidente da França, Jacques Chirac, querem dar um novo impulso às relações entre os dois países que constituem o motor da União Européia.

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O primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin (d), dedicou muito tempo ao candidato da direita à sucessão alemã, Edmund Stoiber (e)

Os dois políticos de centro-direita anunciaram a vontade política de reforçar o eixo Berlim-Paris depois do encontro que tiveram no Palácio Eliseu, nesta terça-feira (16). Com uma visita de dois dias a Paris, o concorrente do chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, que disputa a reeleição, encerrou o seu giro pelas capitais dos maiores aliados da Alemanha.

"Sem uma reativação das relações teuto-francesas não podem ser solucionados os problemas na Europa", disse Stoiber, referindo-se sobretudo às diferenças na questão da reforma da política agrária da UE. Chirac também defendeu um estreitamento das relações bilaterais e concordou que a Alemanha não pode continuar sendo o maior contribuinte financeiro dos 15 países-membros da UE.

Como já havia feito em Washington, Moscou e Londres, Stoiber apresentou-se como o candidato comum da União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã (CSU) à sucessão alemã. Como Schröder fez quatro anos atrás, ele mostrou que sabe se movimentar no palco internacional. O interesse do novo governo francês conservador pelo candidato da direita alemã foi enorme: vários ministros, líderes na Assembléia Nacional, senadores e deputados compareceram à recepção para Stoiber no Hotel Le Bristol, na noite de segunda-feira. Chirac recebeu o seu hóspede na porta do Palácio Eliseu e o condecorou com a ordem de comandante da Legião de Honra. O premiê francês, Jean-Pierre Raffarin, também dedicou muito tempo a Stoiber.

Alfinetadas no adversário

As viagens ao exterior podem não ajudar mas também não deverão atrapalhar o concorrente de Schröder na eleição do novo Parlamento e do governo da Alemanha em 22 de setembro, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Forsa, Manfred Güllner. A política externa desempenha um papel muito menor na decisão dos eleitores do que o desemprego, mas o candidato aproveitou, em Paris, a presença dos 25 jornalistas e do batalhão de colegas franceses e correspondentes estrangeiros em Paris para alfinetar o adversário.

Na recepção oferecida pela Fundação Konrad Adenauer, ele acusou Schröder de não ter cumprido a promessa eleitoral feita em 1998 de reduzir o número de desempregados para 3,5 milhões. Permanecem os mesmos quatro milhões que o gabinete social-democrtata e verde herdou da coalizão da CDU, CSU e Partido Liberal. O antecessor de Schröder, Helmut Kohl, também repetiu, de forma exaustiva, durante anos, a cantilena de que reduziria a taxa de desocupados em 50% . Ao contrário de suas outras viagens ao exterior, o candidato alemão fez turismo em Paris. Com jornalistas e turistas do mundo inteiro, Stoiber visitou o museu Louvre e admirou Mona Lisa.

Compreensão mútua

Stoiber e Chirac concordaram que as relações entre a Alemanha e a França devem ser mais estreitas e sólidas e que as diferenças entre os dois Estados não podem ser discutidas publicamente, mas sim abertamente, como entre amigos. O candidato confirmou que aceita a conduta da França em relação à política agrária. É impossível uma reforma antes de 2006, como propôs o comissário da Agricultura, Franz Fischler, disse ele.

O presidente francês, por sua vez, mostrou compreensão pela exigência de Berlim para que a Alemanha deixe de ser o maior financiador da UE. Nesse contexto, Stoiber voltou a acusar Schröder de chocar os parceiros europeus com a sua maneira de apresentar exigências máximas, que ele considera direta demais. O candidato da oposição centro-direita alemã prometeu que, se for eleito, vai tomar iniciativas no setor de segurança e para a ampliação da União Européia e adiantou que "se Alemanha e França não encontrarem soluções conjuntas, o processo de integração européia vai empacar".