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Mundo

China

Imprensa crítica chinesa tenta burlar os mecanismos da censura e tem na internet um grande aliado para a causa da liberdade de expressão.

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A liberdade de imprensa na China é controlada pelas mãos e pelas armas do governo

O destino do apêndice semanal da revista chinesa para jovens Bingdian traz à luz a situação atual do controle e da liberdade de imprensa na China.

O que aconteceu? Em 24 de janeiro, o redator-chefe da Bingdian recebeu o comunicado de que a publicação seria suspensa temporariamente. Pela primeira vez desde a Revolução Cultural, uma revista seria fechada diretamente pelo partido sem que nenhuma razão oficial fosse dada. Aparentemente, suas reportagens e resenhas críticas eram motivo suficiente.

O redator-chefe, Li Datong, mostrou sua revolta em um protesto barulhento. Nunca antes um membro da mídia controlada pelo governo colocou-se tão abertamente contra a censura e atacou seus meios de controle.

Ele apresentou queixa na Comissão de Controle Disciplinar da central do partido e publicou uma carta de reclamação na internet. Cerca de 20 minutos depois de publicada, a carta já havia sido retirada de circulação. Mas foi suficiente para que cópias fossem reencaminhadas.

Formou-se uma liga de apoio a Li. Inúmeras vozes da cultura, da política, da ciência e da economia se pronunciaram, entre eles muitos intelectuais conhecidos. Todos exigiam que a folha voltasse a circular. Ninguém esperava que haveria tamanha mobilização contra as autoridades censoras.

Demorou somente um mês para que o Ministério da Propaganda percebesse que a luta contra um meio tão aberto não poderia ser vencida. Prontamente, tomou-se a decisão de que a Bingdian poderia voltar a circular com a imposição de trocar dois redatores.

O caso Bingdian modificou o panorama da imprensa chinesa. O mais importante foi que o grito contra a censura partiu desta vez não da oposição, mas de uma publicação oficial, que segue de perto a linha do partido. O movimento que se deu na internet também serviu como um meio bastante eficiente de mobilização.

Segundo Li Datong, a rede se tornou a arma mais efetiva na luta contra os ditadores. Ele também acredita que a imprensa crítica chinesa está em franca expansão. O problema é o sistema e o conflito com ele vai continuar se radicalizando.