China torna-se a maior credora de países em desenvolvimento | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 18.01.2011
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Economia

China torna-se a maior credora de países em desenvolvimento

País dos superlativos ultrapassou o Banco Mundial e tornou-se o maior credor de países em desenvolvimento. Bancos estatais chineses também buscam entrar no mercado europeu e anunciam abertura de novas agências na Europa.

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China quer tornar yuan mais importante

A China bate recorde atrás de recorde. Às vésperas do encontro do presidente Hu Jintao com o colega de pasta norte-americano, Barack Obama, nos Estados Unidos, a potência asiática anunciou que, em 2010, os investimentos estrangeiros no país atingiram a marca de 105,7 bilhões de dólares, a mais alta de sua história, comunicou Pequim nesta terça-feira (18/01).

O crescimento em relação ao ano anterior foi de 17,4%, informou o porta-voz do ministério do Comércio. É o líder desse país que atrai tanta atenção estrangeira, que se reúne a partir de quarta-feira com o chefe de Estado de uma nação que ainda tenta se recuperar da crise.

Outro feito chinês deve pesar no diálogo entre Hu Jintao e Barack Obama: os bancos estatais da China ultrapassaram o Banco Mundial em créditos concedidos a países em desenvolvimento. É o que aponta uma pesquisa feita pelo jornal Financial Times.

China como grande credora

Segundo a reportagem publicada nesta terça-feira, o Banco Chinês de Desenvolvimento e o Banco de Importação e Exportação Chinês emprestaram 110 bilhões de dólares a governos e empresas de países em desenvolvimento em 2009 e 2010.

A soma ultrapassou os 100,3 bilhões de dólares disponibilizados pelo Banco Mundial, entre meados de 2008 e meados de 2010, como resposta à crise financeira mundial. As condições oferecidas pelos chineses seriam mais favoráveis do que as do Banco Mundial, diz o Financial Times, e contariam com forte apoio de Pequim.

Rumo ao mundo desenvolvido

A economia que mais cresce no globo quer aumentar sua influência no mundo desenvolvido. Seguindo esta estratégia, o Banco Comercial e Industrial da China (ICBC, do inglês) anunciou que abrirá cinco novas agências na Europa.

Além das agências já existentes em Londres, Moscou, Luxemburgo e Frankfurt, o ICBC oferecerá serviços também em Amsterdã, Bruxelas, Paris, Madri e Milão. O presidente do banco, Jiang Jianqing, disse que quer estreitar os laços com os parceiros europeus. "É uma época muito boa para se entrar e investir na Europa", declarou à imprensa nesta segunda-feira.

No entanto, mais do que o ingresso no mercado europeu, o ICBC serve como uma referência para seus clientes que buscam investimentos na Europa, aponta Alistair Milne, da Cass Business School, em Londres. Afinal, a China é a maior parceira comercial da Europa e as exportações chinesas para o continente europeu totalizaram 398 bilhões de dólares em 2010.

"O ICBC está abrindo agências na Europa para ajudar as companhias chineses e seus clientes, e dar a eles um alcanço geográfico apropriado. Eles não estão atacando o cliente doméstico dos bancos europeus", comentou Milne.

Impacto

Para Horst Löchel, professor da China Europe International Business School, em Xangai, o ato aparentemente insignificante pode fazer parte de algo muito maior. "Há um ditado na China: cada história começa com seu primeiro passo, e esse é seu primeiro passo. É um passo muito pequeno, claro, mas é um passo numa direção."

O professor, que também leciona na Frankfurt School of Finance and Management, adiciona: "O próximo passo será a abertura de mais agências e, provavelmente, investir em alguns bancos europeus."

O governo chinês detém a maior parte do ICBC, que tem cerca de 160 agências no exterior.

Autoras: N. Dannenberg / N. Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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