China quer usar Grécia como trampolim para a Europa e o Oriente Médio | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 06.10.2010
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Economia

China quer usar Grécia como trampolim para a Europa e o Oriente Médio

Em visita à Grécia, o premiê chinês, Wen Jiabao, anunciou negócios lucrativos e ajuda financeira ao país, afetado pela crise. O governo grego disse aceitar a oferta de bom grado. Mas a China não age sem interesse.

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George Papandreou e Wen Jiabao, em Atenas

A cúpula Europa-Ásia (Asem) mal terminou e o próximo encontro internacional já acontece em Bruxelas. Nesta quarta-feira (06/10), lideranças chinesas e europeias se encontram pela 13ª vez para discutir temas de interesse comum: fortalecimento da parceira estratégica, mudanças climáticas, energia e política mundial.

Trata-se de um programa ambicioso, principalmente levando-se em conta que a cúpula UE-China realizada no ano passado em Nanquim não resultou em resultados concretos. Desta vez, todavia, a promessa de ajuda feita pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, durante visita à Grécia, antes da cúpula em Bruxelas, deverá ser motivo de discussões.

Interesses chineses

Symbolbild chinesische Investitionen in Griechenland

Ajuda chinesa é bem-vinda na Grécia

Segundo análise da empresa de consultoria de investimentos chinesa World Capital Market, no momento é excepcionalmente vantajosa a relação custo-benefício para um investimento direto de empresas estatais chinesas na Grécia. A ocasião é boa, porque o governo grego precisa de dinheiro e, por isso, está disposto a fazer concessões, afirma a empresa de consultoria financeira.

Assim, os acordos firmados não são tão altruístas como o premiê Wen Jiabao quis demonstrar com seu engajamento pela Grécia, durante passeio pela Acrópoles de Atenas.

China constrói postos avançados

A China quer construir na Grécia uma espécie de posto avançado, de onde o comércio com a Europa, os Bálcãs, a África do Norte e o Oriente Médio pode ser organizado e ampliado. Isso já foi acertado pelos governos chinês e grego, em acordo prévio assinado em junho deste ano.

Desde 2008, a empresa de transportes estatal chinesa Cosco controla o porto de contêineres de Pireus. Agora, deverá controlar também o porto de Tessalônica, no norte do país. A China também tem interesse em comprar parcelas das ferrovias gregas e de outros pilares da infraestrutura local.

Além disso, os armadores gregos receberam um empréstimo de 3,6 bilhões de euros para comprar navios na China, com os quais, por sua vez, mercadorias chinesas serão transportadas para a Europa. Atualmente, cerca de 300 navios estão sendo construídos para armadores gregos na China.

"Amigos devem se ajudar"

Griechenland Container Terminal Hafen Piräus

Porto de contêineres de Pireus está em mãos chinesas

Wen Jiabao e o premiê grego, George Papandreou, saudaram a parceria estratégica. Os chineses prometeram ajuda aos amigos gregos durante o colapso financeiro. A China quer continuar comprando títulos públicos gregos, difíceis de serem vendidos no mercado.

O primeiro-ministro chinês anunciou que a China estaria interessada em um euro saudável e que também gostaria de ajudar outros países-membros da zona do euro em dificuldades. Além da Bélgica, Wen Jiabao visitará ainda a Itália e a Turquia.

Sindicatos gregos chegaram a levantar dúvidas quanto ao novo empregador chinês. Mas, devido à escassez financeira na Grécia, tais objeções logo foram deixadas de lado.

Grandes reservas cambiais

Em meio à crise econômica global, a China dispõem de grandes reservas monetárias, que quer aplicar de forma lucrativa para garantir, a longo prazo, seu abastecimento com matérias-primas e tecnologia de ponta. As reservas cambiais chinesas são estimadas em 1,8 trilhão de euros.

Enquanto muitas empresas internacionais tiveram que reduzir fortemente seus investimentos devido à crise financeira, a China duplicou seus investimentos diretos nos últimos dois anos. No mundo todo, empresas e fundos estatais chineses foram às compras para assegurar minas e matérias-primas para si.

Os investidores chineses também se empenham cada vez mais na aquisição de empresas de alta tecnologia. Em 2009, a China incorporou um fabricante de peças de aviões na Áustria, como também a fábrica de automóveis sueca Volvo. A China possui ainda as principais empresas de fabricação de baterias de lítio, que são usadas principalmente em carros elétricos.

Na Grécia, todavia, a política de compras da China tem mais êxito do que em qualquer outro lugar. França e Austrália, por exemplo, recusaram a incorporação de empresas por parte da China.

Autor: B. Riegert / A. Freyeisen / C. Albuquerque

Revisão: Alexandre Schossler

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