China não pretende isolar Pyongyang ainda mais, afirmam especialistas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 24.11.2010
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Mundo

China não pretende isolar Pyongyang ainda mais, afirmam especialistas

Como único aliado dos norte-coreanos, a China fornece há anos apoio político e econômico ao "primo pobre". Embora a relação entre os dois seja problemática, Pequim tem pouco interesse em isolar seu vizinho ainda mais.

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Jong-il e o líder chinês Hu Jintao. Ditador é presença constante em Pequim

Em nenhum outro lugar, a China e a Coreia do Norte se encontram tão intimamente ligadas como na cidade chinesa de Dandong, no nordeste chinês. Na Ponte da Amizade sobre o rio Yalu, impera o burburinho diário de caminhões e trens indo e voltando da Coreia do Norte para a China. É por ela que os dois países escoam a maior parte do seu comércio. Só nos primeiros seis meses deste ano, passaram pela ponte mercadorias no valor de 1,3 bilhão de dólares.

A Coreia do Norte depende do fornecimento chinês, não só de alimentos, mas também de petróleo, que flui através de um oleoduto especial, que passa próximo a Dandong.

Influência chinesa não é absoluta

"A China tem mais influência sobre a Coreia do Norte que qualquer outro país", afirma o professor Niu Jun, da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim. "Mas essa influência não é absoluta. Porém, se a Coreia do Norte não ouvir mais a China, quem ela ouvirá?"

Também Pyongyang precisa de um mínimo de apoio internacional. Além disso, historicamente, os países estão intimamente ligados. Durante a Guerra da Coreia, a China apoiou militarmente a Coreia do Norte, e desde 1961 existe um tratado de amizade entre as duas nações. Kim Jong-il já esteve duas vezes na China este ano.

Os norte-coreanos sempre puderam contar com o apoio de Pequim. No Conselho de Segurança da ONU, a potência asiática fez diversas vezes uso de seu poder de veto para impedir que fosse adotada uma linha mais dura contra a Coreia do Norte, mesmo após os testes nucleares de 2006 e 2009, depois da expulsão de inspetores nucleares do país e do cancelamento das conversações multilaterais entre seis países.

Provocações contrariam interesses de Pequim

Familienfoto Nordkorea Kim Jong Il mit Frau Tochter und Söhnen 1981

Líder norte-coreano com família, em foto de 1981.

Mas as novas provocações de Pyongyang não vão ao encontro dos interesses chineses. E, apesar da forte ligação, a influência da China sobre o governo de Pyongyang não deve ser superestimada, na avaliação do especialista britânico em assuntos norte-coreanos Jasper Becker.

"Kim Jong-il não tem confiança alguma nos chineses, os quais não têm acesso ao círculo mais íntimo do ditador ou a seus processos de tomada de decisão", observa Becker. "E no que concerne ao caminho da abertura econômica chinesa, este é rejeitado decididamente por Kim".

Mas depois do ataque com granadas contra a Coreia do Sul, os apelos para que finalmente se faça maior pressão sobre Pyongyang devem ficar mais numerosos. Entretanto, a China teme que isso possa criar instabilidade ao empobrecido país vizinho.

Pequim teme invasão de refugiados norte-coreanos

"Se o país entrar em colapso, nós podemos sofrer as consequências", diz o professor Shi Yinhong, da Universidade Popular de Pequim. Para ele, isso deve ser evitado a todo custo, pois a China teme que haja uma avalanche de refugiados pela fronteira com Dandong no caso de uma derrocada econômica do vizinho.

Uma reunificação também não seria uma solução para a China que, nesse caso, teme ter as tropas norte-americanas próximas da fronteira chinesa, como possível consequência do desaparecimento da Coreia do Norte. Por isso Pequim quer manter as coisas como elas estão e, apesar da pouca simpatia em relação a Kim Jong-il e sua família, se opõe aos desejos de Washington de aumentar a pressão sobre Pyongyang.

Autora: Ruth Kirchner (md)
Revisão: Carlos Albuquerque

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