China marca presença na Conferência de Segurança de Munique | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 05.02.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

China marca presença na Conferência de Segurança de Munique

Pela primeira vez, China participa da Conferência de Segurança. Em sua atuação na política internacional, no entanto, Pequim nunca perde de vista seus interesses econômicos.

default

Ministro do Exterior chinês fala em Munique

A distribuição de matérias-primas cada vez mais escassas, o crescente peso político da China, o programa nuclear do Irã e a política internacional para o Afeganistão são importantes temas da atual Conferência de Segurança de Munique, iniciada nesta sexta-feira (05/02).

Proteção ao clima, crise financeira e a visão de um mundo livre de armas atômicas por parte de Obama: entre os principais problemas globais, nenhum pode ser solucionado hoje sem a colaboração da China. Com mais de 2 milhões de soldados, o país asiático tem o maior Exército do mundo. É o campeão mundial de exportações e a segunda maior economia do planeta.

Em todo o mundo e também dentro da China, aumentam as vozes por um maior empenho do governo em Pequim na gestão de crises internacionais. E o empenho da China certamente aumentará, assegura Eberhard Sandschneider, diretor da Sociedade Alemã de Política Externa. O que acontece é que o governo chinês está ocupando aos poucos seu espaço no cenário internacional, e de forma bastante pragmática, acresce.

Crescimento econômico chinês é a bússola de Pequim

"Sempre atenta em não ultrapassar os limites dos próprios recursos e capacidades, a China vai começar a se integrar nos mecanismos internacionais de gestão de crise. Mas esse processo não é feito sob pressão. Antes de tomar qualquer decisão, o governo chinês avalia se tem ou não condições de enfrentar o Ocidente em certas exigências", explica o especialista.

O governo chinês decide de caso para caso quais medidas devem ser tomadas, acredita Sandschneider. A bússola estratégica dos dirigentes em Pequim é o crescimento econômico do próprio país. Afinal, é a economia que determina como e onde a superpotência emergente mostrará seu engajamento.

Ora o governo comunista impede, dentro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a imposição de sanções pesadas contra o Irã, pensando no seu interesse pelo petróleo persa. Ora resolve participar da operação da ONU no Golfo de Áden, enviando sua Marinha para ajudar a proteger de piratas as rotas comerciais entre a Ásia e a Europa.

Quanto ao Afeganistão, Pequim não pretende enviar tropas, embora grupos estatais chineses explorem riquezas minerais nesse país. Eles não têm qualquer problema de aceitar a proteção militar dos EUA e de seus aliados.

Se servir à economia chinesa, o governo chinês coopera até com ditadores africanos. Da Guiné a Zimbábue, investidores chineses financiam a construção de estradas, ferrovias e escolas. Em contrapartida, empresas da China asseguram na África as matérias-primas de que precisam. Agrade ou não ao Ocidente, Pequim se orienta apenas por seus interesses

Antes G20 que G2

Sandschneider adverte que a comunidade internacional ainda terá que se acostumar mais com esse tipo de política. "Na China, um país atuante é aquele que defende os próprios interesses. Não há nenhuma garantia de que o Ocidente terá mais facilidade quando a China se tornar mais ativa na política externa", questiona o especialista.

Entre as reivindicações políticas da China está uma redistribuição de poder no cenário global. A questão é se o G8, grupo restrito de nações industrializadas e emergentes, deverá ser substituído pelo G20. Pequim quer mais influência internacional e por isso incentiva o G20.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos cogitam outras possibilidades, como por exemplo uma ordem mundial com Pequim e Washington como polos de poder. O ex-conselheiro norte-americano de segurança, Zbigniew Brzezinski, se refere até mesmo ao "Grupo dos Dois", que poderia mudar o mundo.

No entanto, o governo chinês se recusa terminantemente a cogitar modelos como o G2. Eberhard Sandschneider acha, contudo, que a China só continuará resistindo à ideia até seus dirigentes se sentirem seguros a ponto de agir de igual para igual com os EUA.

"A China ainda não está em condições de realizar isso, não gosta nem de falar do assunto e rejeita qualquer discussão. Mas quando as capacidades estiverem lá ou quando o governo acreditar que as possui, aí sim a China vai mudar de comportamento", arrisca Sandschneider.

Tensões e imprevistos

A Conferência de Segurança de Munique deste ano está sendo marcada pela crescente tensão entre os Estados Unidos e a China. Nesta sexta-feira, o ministro do Exterior chinês, Yang Jiechi, aproveitou sua presença na capital bávara para exigir dos EUA que parem imediatamente com o fornecimento de armas a Taiwan.

Também a partir desta sexta-feira, graças ao comparecimento imprevisto do ministro do Exterior do Irã, Manuchehr Mottaki, o conflito em torno do programa nuclear iraniano passa a ser debatido na presença da principal parte de negociação.

Autor: Christoph Ricking (sl)
Revisão: Carlos Albuquerque

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados