China encerra Jogos Olímpicos com brilho, mas não evita críticas | Leia notícias sobre o maior evento esportivo do planeta | DW | 24.08.2008
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Jogos Olímpicos

China encerra Jogos Olímpicos com brilho, mas não evita críticas

Espetáculo de luzes e som encerra com pompa os Jogos Olímpicos de Pequim, mas organizações de direitos humanos e jornalistas criticam autoridades chinesas e afirmam que promessas não foram cumpridas.

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Fogos de artifício marcaram a cerimônia de encerramento no estádio Ninho de Pássaro

Um espetáculo colorido e luxuoso encerrou os Jogos Olímpicos de Pequim neste domingo (24/08). A festa começou com fogos de artifício e o hino nacional da China. A seguir, os atletas dos países participantes entraram no estádio Ninho de Pássaro, num clima mais informal do que o da abertura do evento.

Londres, a próxima cidade-sede, também participou da cerimônia. Um ônibus vermelho de dois andares circulou pelo estádio. Ele se transformou num palco, no qual o guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page, e a cantora Leona Lewis apresentaram o clássico Whole Lotta Love. Também o jogador de futebol David Beckham e o prefeito Boris Johnson estiveram presentes.

O espetáculo teve ainda acrobacias e apresentações performáticas sobre uma torre de metal. O tenor espanhol Plácido Domingo e a cantora chinesa Song Zuying também se apresentaram. A última canção da festa de encerramento foi cantada pelo chinês Jackie Chan, que estava vestido de voluntário.

Abschlusszeremonie Olympia China 2008

Performista durante a cerimônia de encerramento

Direitos humanos

O brilho dos jogos não ofuscou as críticas de desrespeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão e de imprensa, feitas por diversas organizações. Os Jogos Olímpicos não melhoraram a situação dos direitos humanos na China, mas a pioraram, afirmou a Human Rights Watch.

"Nenhum dos políticos internacionais ou integrantes do COI [Comitê Olímpico Internacional] em Pequim aproveitou a oportunidade para criticar o comportamento do governo chinês de uma forma razoável", disse o diretora para a Ásia da organização, Sophie Richardson.

"Nem no pior cenário que tentamos imaginar poderíamos prever que duas septuagenárias seriam sentenciadas a trabalhos forçados durante os Jogos", disse Richardson. Ela se referia à prisão de duas mulheres, uma de 77 e a outra de 79 anos, que haviam se inscrito para protestar durante os Jogos.

Sobre a prisão das duas idosas, o presidente do COI, Jacques Rogge, disse apenas que o comitê não é uma organização soberana e que as autoridades chinesas o informaram de que lei local foi aplicada. Para Rogge, a China se abriu para o mundo com os Jogos. "A China aprendeu mais sobre o mundo, e o mundo aprendeu mais sobre a China", avaliou. Ele disse que o efeito a longo prazo será positivo.

Abschluss Zeremonie Olympia 2008

Tradicionais coreografias também foram vistas em Pequim

Liberdade de imprensa

Diversas associações de jornalistas criticaram o governo chinês nos últimos dias dos Jogos Olímpicos de Pequim e afirmaram que a promessa de liberdade de imprensa não foi cumprida. "Estes foram os Jogos Olímpicos da falta de liberdade de imprensa e da censura", afirmou neste domingo o presidente da Associação Alemã de Jornalistas (DJV), Michael Konken.

Apesar da garantia dada pelos governantes chineses, as condições de trabalho dos cerca de 25 mil jornalistas internacionais presentes ao evento foram limitadas, disse Konken. "Uma cobertura jornalística crítica e livre não foi possível na China."

Konken criticou também o COI, afirmando que, para as autoridades esportivas, a liberdade de imprensa aparentemente desempenhava um papel marginal nos Jogos. "Era assustador ver a indiferença com que os responsáveis do COI reagiam às críticas da opinião pública às tentativas de censura das autoridades chinesas", disse.

Doppeldecker Abschlusszeremonie Olympia China 2008

Ônibus de dois andares, símbolo de Londres, circula no estádio

Violência e detenções

Na sexta-feira, o Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC), denunciou mais de 30 casos de interferência no trabalho dos jornalistas estrangeiros. Outros 20 casos estão sendo averiguados pelo FCCC. As denúncias incluem violência física, destruição de material jornalístico, detenções, proibição de acesso a locais públicos e interrogatórios por parte de autoridades.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) falou de um "balanço catastrófico" da liberdade de expressão durante os Jogos Olímpicos. Ao menos 22 jornalistas estrangeiros teriam sido detidos ou impedidos de realizar seu trabalho, segundo o secretário-geral da organização, Robert Ménard.

Rogge se defendeu das críticas neste domingo. Ele reconheceu que a situação "não foi perfeita", mas acrescentou que "o COI e os Jogos Olímpicos não podem forçar mudanças em nações soberanas nem resolver todos os males do mundo. Mas nós podemos contribuir para mudanças positivas através do esporte, o que também foi feito".

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