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Economia

China compra siderúrgica second hand da ThyssenKrupp

Começou nesta quinta-feira (14), em Dortmund, a gigantesca operação de desmontagem de uma siderúrgica vendida ao grupo do aço Shagan: o maior quebra-cabeças do mundo, e o mais pesado também.

O cenário em Dortmund lembra a comédia alemã Os chineses vêm aí. O filme de Martin Stelzer conta a confusão, numa pequena cidade da Baviera, quando um grupo de chineses compra uma fábrica falida, para desmontá-la em dois tempos e levar para casa. Desta vez os chineses são 1.200, não se trata de um povoado e sim da cidade de Dortmund, e a história não é virtual nem da sétima arte.

A fábrica é mais do que isso: uma siderúrgica completa da ThyssenKrupp, que escreveu um capítulo da história industrial na Alemanha. Vendida ao grupo siderúrgico Shagan, da província chinesa de Jiang Zhu, ela está sendo completamente desmontada pelos chineses, com o que irá transformar-se no maior quebra-cabeças do mundo, e o mais pesado também: 250 mil toneladas.

Produzir mais - "Com essa siderúrgica queremos reestruturar nossa produção, aumentar a capacidade e a eficácia", expôs Wang Wie Dung, o representante do grupo, à Deutsche Welle. A produção será duplicada, atingindo seis milhões de toneladas por ano. Ele espera que a maquinaria toda, que custou 10 milhões de euros, ainda funcione mais uns 20 anos.

Dois pesos e duas medidas - Em matéria de investimento, isso não é nada: para fabricar aço inoxidável em Xangai, a ThyssenKrupp, que já vendeu algumas siderúrgicas antigas à China, teve que investir cerca de 3 bilhões de euros. O Estado chinês compra indústrias usadas, mas exige a mais moderna tecnologia dos investidores estrangeiros que querem fazer "negócios da China". Firmas alemãs como a BASF, Bayer ou Siemens tiveram que desembolsar bilhões de dólares em seus complexos, só para ter o direito de entrar no mercado chinês.

A desmontagem iniciada nesta quinta-feira (14) é única por suas dimensões, diz Peter Scholz, da transportadora Kühne & Nagel. Nos últimos anos, ele transportou várias fábricas desativadas para a China, inclusive uma fábrica de cimento de Leuna (leste da Alemanha).

Não apenas os baixos custos são vantajosos, segundo ele. A encomenda de um forno de fundição novo leva anos para ser atendida. O transporte e a montagem na China também demoram e, com isso, passam-se cinco anos até que uma siderúrgica, por exemplo, possa entrar em funcionamento. Ao comprar uma indústria de second hand, tudo fica pronto, no máximo, em um ano.

Skyline sem chaminés - Para Dortmund, o fim da era do aço logo também ficará patente na skyline da cidade. Com a siderúrgica vai-se mais um símbolo da tripla atividade econômica – aço, carvão e cerveja – que marcou a cidade da região industrial do Ruhr durante 160 anos.