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Economia

Chefia da DaimlerChrysler aceita até reduzir próprio salário

Promessas, chantagem. O empresariado tenta de todo modo reduzir seus custos de produção. Sindicalistas e social-democratas temem a volta do capitalismo selvagem. Conservadores acham "lógicos" os avanços dos empresários.

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Schrempp, chefe da DaimlerChrysler ganhando menos?

A presidência do conglomerado DaimlerChrysler sinalizou neste domingo (18) que está disposta a renunciar a parte de seus rendimentos, caso os funcionários aceitem a jornada semanal de trabalho prolongada. Segundo o jornal Bild am Sonntag, os altos executivos da empresa propuseram uma redução de 10%, numa tentativa de aplacar o atrito das últimas semanas.

Seu porta-voz, Thomas Fröhlich, confirmou apenas que "a chefia está disposta a fazer sua parte, no contexto global da situação". Na véspera, os quase 15 mil operários de Sindelfingen e Untertürkheim, no estado de Baden-Württemberg, fecharam ambas as fábricas, em protesto contra as tentativas da Daimler de reduzir, a suas custas, os gastos de produção.

Entre mais trabalho e a África do Sul

O conflito trabalhista acirrara-se na semana anterior. A DaimlerChrysler ameaçou transferir a produção de seu novo sedã Mercedes classe C para Bremen e a África do Sul, caso o sindicato não concordasse em medidas com o fim de reduzir os custos de produção em 500 milhões de euros.

Estas incluem sobretudo o prolongamento das jornadas semanais, sem reajuste salarial. Por outro lado, a transferência da produção significará a perda de seis mil postos de trabalho em Sindelfingen.

O diretor-executivo do grupo teuto-americano, Jürgen Schrempp, declarou ao jornal Welt am Sonntag que espera uma solução "em breve", e que todos estão engajados em negociações construtivas.

Schröder interfere

O sindicato dos metalúrgicos alemães, IG-Metall, taxou a ameaça de "chantagem", incitando os operários à greve. O 15 de julho foi declarado "dia nacional de protesto" contra a DaimlerChrysler. Faixas ao longo dos piquetes mostravam frases como "É guerra!".

A escalada na confrontação entre empregadores e funcionários preocupou o chanceler federal, Gerhard Schröder, levando-o a interferir abertamente na sexta-feira, insistindo que ambos os lados continuem trabalhando por uma solução.

Para o chefe de governo, o clima exacerbado é "um exemplo da perda de uma cultura em que ainda acredito, baseada em que os envolvidos não se insultem publicamente, e que os dois lados não façam ameaças mútuas".

Capitalismo cego, como há 100 anos

A montadora de automóveis é apenas uma das grandes firmas alemãs que tenta reduzir seus gastos através do retorno à jornada semanal de 40 horas. Em junho, a Siemens desistira de transferir milhares de postos para a Hungria, depois que os sindicatos concordaram em abandonar a semana de 35 horas. Este acordo levou companhias como a produtora de caminhões pesados MAN a propor alterações semelhantes.

Franz Müntefering, Generalsekretär der SPD

Franz Müntefering, presidente do Partido Social Democrata (SPD)

Franz Müntefering, presidente do Partido Social Democrático (SPD), da coalizão de governo, acusou os empresários de tentar beneficiar-se do mau momento econômico para pressionar sindicatos e trabalhadores. Desse modo estariam girando a roda do tempo 100 anos para trás.

Em entrevista ao Berliner Zeitung, ele lembrou que as firmas têm responsabilidades perante seus funcionários, impedindo-as de trocar seus sítios de produção a bel-prazer. "O caminho que estão trilhando é errado. Salários módicos não são o futuro da Alemanha", advertiu Müntefering, "temos que evitar acabar em capitalismo cego e total".

Conservadores apóiam DaimlerChrysler

O representante dos empresários do setor metalúrgico, Martin Kannegiesser (Gesamtmetall) classificou as declarações do social-democrata como "um tipo de hostilidade contra a indústria que já nos causou problemas suficientes".

Angela Merkel, líder da União Democrata Cristã (CDU), da oposição conservadora, também mostrou-se bem menos compassiva do que Müntefering, ao comentar o impasse. Ela considera "simplesmente lógico" a DaimlerChrysler procurar locações que lhe ofereçam custos mais baixos.

A representante da oposição conservadora advertiu ainda os sindicatos contra a tentativa de alcançar aumentos salariais excessivos e que podem implicar perda de competitividade global às companhias alemãs. "À luz da globalização, há um verdadeiro perigo de acordos salariais que acabem acarretando a transferência da produção para o exterior ", pontificou Merkel.

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