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América Latina

Chefe dos social-democratas da UE visita América do Sul

O líder da bancada social-democrata no Parlamento Europeu, Martin Schulz, está de viagem, nesta semana, para o Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. A DW-WORLD conversou com o político sobre sua ida à América do Sul.

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Mensagem de Martin Schulz à America do Sul será o exemplo do Parlamento Europeu

DW-WORLD: O senhor está de viagem a países do Mercosul e chega, na terça-feira (07/08), em São Paulo e, na quarta-feira, em Brasília, onde se encontrará com políticos e sindicalistas. Quais as prioridades de sua agenda para o Brasil?

Martin Schulz: No Brasil, conversarei, principalmente, sobre os resultados dos encontros que o presidente Lula teve com as lideranças da União Européia, e sobre a chamada parceria estratégica Brasil-UE. Discutirei também o papel do Brasil no Mercosul e a cooperação entre os sindicatos e partidos de esquerda brasileiros com os socialistas no Parlamento Europeu.

Desde 1999, a UE e o Mercosul estão negociando um tratado de associação. Oito anos depois, o acordo alfandegário ainda está incompleto. Fala-se que a política agrícola da UE e a Rodada de Doha seriam as responsáveis. Em sua opinião, por que tal empenho ainda não teve êxito?

Porque ambos os lados têm problemas em superar os obstáculos gerados pelas implicações econômicas deste tratado de associação. Para a União Européia, trata-se, sobretudo, da política de subvenções no mercado agropecuário. Estou certo, todavia, de que haverá progresso nos próximos anos.

A UE deve reformar, sobretudo, sua política agrícola. Ela tem que se livrar do sistema de subvenções. Não somente por causa da América Latina, mas devido ao comércio internacional como um todo. Você mencionou a Rodada de Doha. A Europa deve abrir seus mercados, somente assim poderá contribuir de forma convincente para o desenvolvimento mundial.

A ampliação do Mercosul com a adesão da Venezuela traz certos riscos. Por exemplo, se Chávez executar medidas radicais que dificultem ainda mais a consolidação do bloco. O senhor concorda com essa opinião?

Nas últimas semanas, tenho acompanhado os ataques verbais entre Chávez e Lula. No entanto, tenho a impressão de que há uma tendência de aproximação entre os países envolvidos, tanto a Venezuela, como o Brasil e a Argentina e os outros países do Mercosul.

Acredito que Chávez compreenderá que não poderá introduzir no Mercosul o mesmo radicalismo verbal, o mesmo populismo usado na Venezuela. Se ele quiser que se atinja uma ampla cooperação econômica e política no Mercosul, ele terá que fazer concessões. E a minha impressão é de que o fará.

Nesta semana, o presidente Lula está no México, onde assina vários acordos. O que é de se esperar se o México também for convidado para o Mercosul?

Seria um progresso enorme para o continente latino-americano. Para o Mercosul, isso significaria, sobretudo, que os Estados mais importantes no desenvolvimento econômico, ecológico e também na política internacional da América Latina, ou seja, o Brasil e o México, cooperariam em uma área econômica comum. Isto fortaleceria todos os outros países dessa área econômica. Acredito que esse seja um bom desenvolvimento e, principalmente para os europeus, um desenvolvimento encorajador.

O Brasil é o principal parceiro da União Européia na América Latina e a atual presidência portuguesa da UE quer iniciar uma nova parceria estratégica com o Brasil. O que se pode esperar disso?

O Brasil e a União Européia têm muitos interesses e projetos comuns. O Brasil é um país em ascensão e com um enorme mercado. Na resolução de problemas ecológicos e econômicos, o país é um dos mais importantes parceiros da Europa. Por esse motivo, o encontro da presidência do Conselho da UE com o Brasil foi um passo importante.

O Brasil é um país central, mas, apesar da grandeza e importância, não é o único país. Por isso, acredito – e este é o motivo, pelo qual viajo a vários países – que a UE deva trabalhar com todos os países latino-americanos na solução dos problemas internacionais, tanto com o Mercosul quanto com os países do Pacto Andino. Ou seja, a cooperação com o Brasil é de importância estratégica, mas representa somente uma parte da cooperação total entre a UE e a América Latina.

Qual será a sua mensagem durante os numerosos encontros no continente?

Que a solução dos problemas não mais é possível pelos Estados nacionais e através dos Estados nacionais. Se quisermos ter sucesso no mundo, se quisermos superar os desafios econômicos, políticos e ecológicos e os desafios da política da paz, isso só será possível de forma transnacional. Mundialmente, isso só se alcança através do entendimento entre as diversas regiões.

Neste ponto, a Europa se encontra bastante avançada. Como o Parlamento de uma região do mundo, o Parlamento Europeu prestou uma contribuição essencial para tal. Acho que um Parlamento do Mercosul ou um Parlamento Andino poderia, no continente latino-americano, prestar contribuição semelhante. Está será a minha mensagem.

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