Checkpoint Berlim: Obra controversa | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 14.10.2016
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Checkpoint Berlim: Obra controversa

Reconstrução do antigo Palácio de Berlim segue em ritmo acelerado no centro da capital. Obra tão desejada por alguns é alvo de críticas. Relembre a polêmica.

Berlim é uma cidade contraditória. Enquanto iniciativas tentam modificar o nome de ruas que homenageiam figuras do passado sombrio da cidade, o passado colonialista da capital alemã volta a marcar presença com a reconstrução parcial, em estilo barroco, do antigo Palácio de Berlim. Ele abrigará, no futuro, o Fórum Humboldt.

Em ritmo acelerado, a construção vai ganhando forma e preenchendo o terreno, ocupado antigamente pelo Palácio da República, no centro da cidade. O símbolo da República Democrática Alemã (RDA), sede parlamentar e centro cultural, ocupou este espaço entre 1976 e 2006, após o prédio original ter sido demolido na década de 1950 devido a danos estruturais causados por bombardeios na Segunda Guerra Mundial.

Mas com o fim da RDA e o amianto presente em suas estruturas, o Palácio da República não conseguiu sobreviver ao intenso lobby da Sociedade para a Reconstrução do Palácio de Berlim, movimento criado em 1991 com o objetivo de botar abaixo a construção socialista e reerguer o "dono” original do espaço.

Estimada em aproximadamente 600 milhões de euros, a obra do Fórum Humboldt deve ser inaugurada em 2019. A conta está sendo paga pelo governo e por doações.

A volta do palácio, construído a partir de 1701, tão comemorada por alguns, é alvo de críticas. O local teve seu auge, além de uma posição de destaque, durante o período colonialista alemão. Como residência imperial entre 1871 e 1918, de lá saíram as ordens para atrocidades cometidas durante o período.

Outra crítica é referente ao futuro acervo do fórum, planejado para abrigar uma exposição das culturas do mundo. O local receberá obras etnológicas originárias de a África, Ásia e América, que atualmente estão espalhadas em diversos museus na capital. Muitas das peças foram trazidas para a Alemanha durante o império colonial e sem a autorização de países de origem.

Pessoalmente, fui contra a reconstrução. Os recursos investidos são altos e poderiam ir para outros projetos mais urgentes que a cidade precisa, por exemplo, uma melhor infraestrutura para bicicletas. Além disso, a imponente construção cimenta ainda mais o centro da capital, deixando pouco espaço para o verde ou para curtir um fim de tarde ensolarado na beira do rio.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às sextas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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