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América Latina

Chavismo irá sobreviver sem Chávez?

Em Caracas, o chavismo tem chances de ter continuidade. Escolhido por Hugo Chávez como sucessor, Nicolás Maduro, atual vice-presidente da Venezuela, deve se candidatar para a próxima eleição presidencial.

A mídia e a oposição especularam por cerca de três meses se Hugo Chávez ainda estava realmente vivo. Mas, na terça-feira (05/03) à noite, o vice-presidente venezuelano e sucessor designado por Chávez, Nicolás Maduro, anunciou a morte do "Comandante" – como o chefe de Estado era chamado.

Agora, Maduro tem 30 dias para realizar um novo pleito presidencial do país. "As eleições vão acontecer em breve, para que o governo possa ainda usar a figura de Chávez em seu favor", acredita o especialista em política latino-americana Leslie Wehner, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga, na sigla original), sediado em Hamburgo.

O historiador Stefan Rinke, da Universidade Livre de Berlim, tem a mesma opinião. "Os Estados latino-americanos contam entre os sistemas republicanos mais antigos do mundo. Apesar de todos os episódios ditatoriais, é imprescindível que todos os governos se legitimem de forma democrática."

Medo de eleições injustas

Justamente essa legitimidade é rebatida por José Colina, presidente da organização Venezuelanos Perseguidos Políticos em Exílio (Veppex), com sede em Miami. "Comandado por Nicolás Maduro, o regime atual nunca foi juramentado. Portanto, as eleições convocadas por este regime são, em si, ilegítimas."

Zum Tod von Hugo Chavez Venezuela SW

Maduro foi escolhido por Chávez como sucessor

Desde 10 de janeiro último, Maduro desempenha o papel de presidente interino da Venezuela, já que Chávez não estava em condições de tomar posse para seu terceiro mandato, por ter que se submeter a tratamento médico em Cuba. A essa altura, a oposição já exigia um esclarecimento constitucional por parte do Tribunal Supremo de Justiça do país.

José Colina, crítico do regime e procurado por terrorismo na Venezuela, tem receio de que as eleições sejam desleais. Já no último pleito, houve mal-uso de verbas estatais, e eleitores e jornalistas sofreram intimidação, afirma o ex-tenente do Exército. Fundações políticas da Alemanha, como a Friedrich Ebert e a Konrad Adenauer, confirmam tais acusações.

Colina acredita que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Chávez, sairá vitorioso das próximas eleições, mesmo sem seu grande líder. Da mesma forma, Rinke está certo que o chavismo pode existir sem Chávez. Para isso, contudo, terá que se encontrar uma nova figura na qual possa ser projetado.

O princípio da coesão partidária é também necessário para a oposição, atualmente fragmentada. Sua única chance de ganhar as próximas eleições será – como fez no final de 2012 – unir-se em torno de um único candidato oposicionista, e torcer para que, ao mesmo tempo, o partido governista se perca na briga pela sucessão. Mas no momento isso é, antes, improvável.

De motorista de ônibus a ministro das Relações Exteriores

Para evitar uma luta de poder dentro do próprio partido, o "Comandante" já nomeou seu sucessor algumas semanas antes de falecer. Ele pediu a seus seguidores que, em caso de sua morte, elegessem Maduro como seu líder da "revolução bolivariana". Simón Bolívar, antigo combatente pela independência do século 19, foi o grande modelo político para Chávez.

Kolmbien / Chavez / Anhänger / Krebs

Chavistas apoiaram o presidente em Caracas, durante o tratamento de câncer

"Uma indicação de Chávez tem um grande peso", afirma o cientista político Wehner, do Instituto Giga de Hamburgo. Nicolás Maduro provou ser hábil e leal como ex-ministro das Relações Exteriores. Embora lhe falte o carisma de seu mentor, o ex-motorista de ônibus e sindicalista parecer ser mais pragmático. Assim – apesar de todo o conflito ideológico – Maduro anunciou que pretende aprofundar a parceria econômica com os Estados Unidos.

O único obstáculo de Maduro à presidência é seu presente mandato: na qualidade de presidente interino da Venezuela, ele é supervisor eleitoral designado e, como tal, não poderia concorrer. Mas uma solução será encontrada, assegura Rinke. "No que se refere à interpretação da Constituição, Chávez e seus apoiadores sempre foram bem inventivos." Em caso de necessidade, bastará Maduro transferir seu cargo a um membro do partido.

Autor: Jan D. Walter (fc)
Revisão: Augusto Valente

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