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Mundo

Chanceler grego pede compreensão e solidariedade em Berlim

Embora amigável, encontro entre Kotzias e Steinmeier evidencia abismo entre duas culturas políticas: de um lado, apelo aos sentimentos, do outro, exigência de soluções. Indenização por crimes nazistas também foi tema.

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Nikos Kotzias (esq.) e Frank-Walter Steinmeier em coletiva de impresa em Berlim

A mensagem central do novo ministro grego do Exterior, Nikos Kotzias, a seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier, durante o encontro desta terça-feira (10/02), em Berlim, pode ser resumida em uma frase: a política imposta pela União Europeia à Grécia é insustentável, é preciso compreensão e solidariedade. Porém, comunicar essa mensagem não foi tão fácil, muito menos quando ela vem acompanhada de velhas exigências pelos crimes do nazismo.

Observando-se os dois chefes de diplomacia, percebe-se uma empatia pessoal entre eles. Ambos moraram na cidade de Giessen, no estado alemão de Hessen, até na mesma rua, embora não na mesma época. A esposa de Kotzias é alemã, sua filha nasceu na Alemanha.

"Isso, os jornalistas ainda não descobriram, só descobriram a minha mulher", brinca o grego, em alemão fluente, enquanto seu colega sorri. No entanto, o clima superficialmente amigável não é capaz de camuflar que mundos políticos separam os dois ministros europeus.

Kotzias descreve problemas, explica o que não é mais possível ou aceitável, aposta na compaixão. Steinmeier, por outro lado, exige soluções, pressiona para que haja confiabilidade e para que se honrem os compromissos assumidos pelos governos anteriores. Uma combinação que não tem como dar certo.

De algum modo, ambos travam discursos paralelos e incompatíveis. O resultado é desorientação, com Steinmeier aludindo a "muitas questões em aberto", e que "algumas questões desencadearam novas questões".

"Fiasco" dos antecessores em Atenas

A Alemanha quer, finalmente – e logo –, clareza sobre a direção que Atenas pretende adotar. "Estamos esperando com interesse extremo que concepções consolidadas o governo vai desenvolver nos próximos dias", observou o ministro. A questão central é se haverá ou não uma prorrogação do programa de consolidação, que está sendo negociado nesta quarta-feira em Bruxelas.

Mas as palavras de Kotzias não levam a esperar para breve um consenso entre a Grécia e a União Europeia. Segundo o novo governo de esquerda-direita, a política dos últimos cinco anos em Atenas "só trouxe fiascos".

Há problemas sociais em massa, centenas de milhares de gregos vivem sem calefação nem eletricidade, a taxa de suicídio é alta. Sem falar no 1,5 milhão de desempregados: entre os jovens, a taxa de desemprego circula em 60%.

"O que nós agora pleiteamos, exigimos ou pedimos – pode escolher o verbo que preferir –, é compreensão", enfatizou Nikos Kotzias. "Não podemos prosseguir com essa política que nos foi imposta. Nossa sociedade está em colapso, em breve nossa base de produção não mais existirá, e sem desenvolvimento econômico não se tem como pagar dívida nenhuma."

Não importa o que digam os manuais de economia política, prosseguiu. Necessário agora é uma política que traga crescimento ao país e que inspire o povo a participar, em vez de "ficar observando apaticamente o país entrar em colapso".

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Premiê grego Alexis Tsipras: sem disposição de arcar com decisões de governos anteriores

Indenização pelos crimes nazistas

Frank-Walter Steinmeier escuta o colega grego, sem que sua expressão facial traia o que pensa naquele momento. Antes, ele comentou que a meta da conversa não era "definir posições com as palavras mais incisivas", mas sim "descobrir que ideias o outro lado tem, também no campo da política econômica e financeira".

Ideias não faltam a Kotzias: "Precisamos de reformas", afirma, mas não das que seus antecessores assinaram. "Não reformas a serem impostas contra os interesses da grande maioria da população grega, mas sim reformas para combate á evasão fiscal, a uma oligarquia que aprendeu a saquear a renda e a propriedade estatal."

Uma outra ideia, recentemente debatida pelos parlamentares da Grécia, é que a Alemanha deveria pagar indenizações pelos crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial. "Eu conheço a posição do governo alemão, mas tenho resoluções do Parlamento grego e sou uma espécie de carteiro", explica Kotzias. "Tenho no bolso uma parte do discurso de nosso primeiro-ministro, que abordou o tema."

Steinmeier replica que os alemães estão cientes de sua responsabilidade moral pelos terríveis acontecimentos entre 1941 e 1944 na Grécia. Porém isso, em nada altera a posição do país: "Sustentamos firmemente a opinião de que todas as questões de reparação, inclusive de empréstimos compulsórios, estão juridicamente concluídas e assentadas."

Alternativas para além da UE

Jornalistas presentes em Berlim perguntaram ao chefe da diplomacia grega o que ele achava das declarações do ministro da Defesa Panos Kammenos de que a Grécia também poderia buscar ajuda em Rússia, China ou Estados Unidos.

"Minha favorita é a Europa, e eu espero que a Europa compreenda que ela é a nossa preferida", reforçou o chanceler grego. Kammenos apenas "pensou alto, expressou um jogo de ideias", afirmou, enquanto ele, Kotzias, negocia e discute com a UE e a Alemanha.

Porém o diplomata não perdeu a oportunidade de acrescentar uma ressalva: "Naturalmente vamos escutar todas as instâncias que queiram ser solidárias conosco."

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