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Mundo

Chade deve ter papel de destaque em missão internacional no Mali

Enquanto comunidade internacional planeja missão no Mali, analistas se preocupam com o destaque que será dado ao Chade. Ao ceder suas tropas bem equipadas e experientes, regime autoritário do país pode lucrar com missão.

Com a proximidade de uma intervenção militar no norte do Mali para expulsar os radicais islâmicos, a comunidade internacional iniciou conversas com o Chade para que suas tropas – consideradas bem equipadas e que têm experiência em combate no deserto – participem da intervenção. O plano deve ficar pronto até o final de novembro.

Porém, especialistas temem que a ajuda do Chade no conflito possa ser um sinal de legitimação do Ocidente quanto ao regime do presidente do país, Idriss Déby. Ele está há 20 anos no poder e é acusado de violar os direitos humanos em seu país.

Soldat im Tschad

Forças do Chade: tropas experientes em combate no deserto

A Comunidade dos Estados da África Ocidental (Cedeao) e a União Africana deverão fornecer cerca de 3 mil soldados. Ainda não está definido como o governo alemão vai participar da ação. Até o momento, a chanceler federal Angela Merkel confirmou que vai dar auxílio financeiro, assim como também treinamento para os militares envolvidos na operação.

Geograficamente, o norte do Mali é um terreno difícil, com vários quilômetros de deserto e estepes. Apenas soldados com experiência em combate no deserto têm chance de obter sucesso na região. E as tropas do Chade sabem como lutar em tal terreno.

Com a proximidade de uma intervenção militar no Mali, há conversas sobre a participação do Chade. O país tem tropas bem equipadas, sobretudo graças ao treinamento realizado pela antiga metrópole colonial, França. Por isso, na busca por tropas adequadas, a União Europeia e a União Africana não devem abrir mão da participação do Chade.

Mão de ferro

Tschad Präsident Idriss Dedy Itno

Presidente do Chade, Idriss Déby, está há 20 anos no poder

A parceria questionável começa a tomar forma. Situado em meio a países em crise, o Chade é, de fato, considerado uma garantia de estabilidade na região do Sahel. E se deve principalmente a um motivo: o presidente Idriss Déby governa há 20 anos com mão de ferro, agindo de forma brutal contra a oposição e restringindo a liberdade de expressão.

Em setembro, uma revista foi proibida de circular por ter divulgado acusações de corrupção. O editor-chefe está na prisão, assim como os três sindicalistas que escreveram o artigo. Um político da oposição foi preso por alegada caça ilegal de javalis.

"A lista de violação dos direitos humanos é longa", diz Christian Mukosa, especialista em Chade da Anistia Internacional, em entrevista à DW. Ele observa que o governo age de forma cada vez mais implacável e que as repressões não se limitam a intimidação. "O governo utiliza também o Judiciário para silenciar e hostilizar seus oponentes", relata o ativista de direitos humanos.

Extremistas no Chade

Soldados do Chade para realizar uma operação militar no Mali seria um caso duvidoso, apesar da experiência em combate no deserto e por serem bem equipados, diz Helga Dickow, cientista política do Instituto Arnold Bergstraesser, em Freiburg.

"Que tipo de exemplo damos, enquanto Ocidente, que clama por democracia mas, por outro lado, apoia, mais uma vez, um país desses, só porque precisamos de tropas?", questiona a especialista.

Helga Dickow teme que uma ação militar possa dar reconhecimento internacional a Déby e estabilizar a sua posição no poder, pois ainda não são conhecidas as condições que o governante vai propor em troca da possível participação de suas tropas. No entanto, uma coisa é clara: Déby é considerado um estrategista inteligente, que sabe exatamente como agir para manter seu sistema de poder.

Politische Gefangene im Tschad

Presos políticos no Chade: repressão é cotidiano no país

Uma outra preocupação é que o Chade também corre o perigo de uma radicalização islâmica. "Como no Mali, o norte do Chade também tem forte domínio muçulmano, e há indicações claras de que cresce a simpatia pelo regime islâmico do Mali", observa Helga Dickow.

Na capital do Chade, N'Djamena, extremistas mantêm estreitos contatos com o grupo terrorista islâmico Boko Haram, da Nigéria. "Supostamente, Boko Haram também já esteve ameaçando o presidente Déby, afirmando que se o Chade realmente enviar tropas para o Mali, eles também vão desestabilizar o Chade", afirma a especialista. Isso seria um fiasco para a estabilidade na região do Sahel.

Além do Chade, um outro país tem experiência militar em combate no deserto: a Argélia. Nele, o presidente Abdelaziz Bouteflika se mostrou reticente durante encontro com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. Uma situação que reforça a importância do Chade para o Ocidente e, com isso, o poder do presidente Idriss Déby.

Autora: Vera Kern (md)
Revisão: Fernando Caulyt

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