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América Latina

Chávez faz política contraditória com petróleo

Hugo Chávez injeta bilhões de petrodólares em programas sociais. Correligionários do presidente aprovam esta política, mas críticos advertem que faltam investimentos para modernizar a indústria petrolífera.

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Navio-tanque no Lago de Maracaibo

Quem quiser respirar a riqueza do petróleo da Venezuela, que faça um passeio de barco pelo Lago de Maracaibo. Depois de deixar para trás o perfume de cloaca da margem de partida, o visitante pode encher o nariz com o cheiro de posto de combustível no mar aberto. Na margem leste, milhares de torres de perfuração, plataformas de petróleo e gás erguem-se da água.

Aqui, no maior lago da América Latina, começou em 12 de dezembro de 1922 uma nova era para a Venezuela. Na ocasião, a Shell perfurou o poço Los Barrosos, Nr. 2, fazendo jorrar 100 mil barris diários de petróleo. Em 1929, a Venezuela já era o maior exportador de petróleo do mundo.

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Lentilhas-d'água formam manchas verdes no lago

Para o lago, o boom do petróleo foi um desastre. As petrolíferas não se preocuparam com a poluição. Atualmente, a estatal PDVSA implementa programas ambientais junto com petrolíferas estrangeiras, mas ainda não se vê muito resultado.

Informações contraditórias

Segundo peritos, as reservas dentro e ao redor do lago ainda são suficientes para décadas. "Maracaibo, porém, é a decadência", diz Diego Gonzalez, diretor do Instituto de Petróleo e Minas (Ipemin).

"Em 1970, ainda se produziam aqui três milhões de barris por dia. Hoje são menos de um milhão", diz o crítico do governo, que atuou durante mais de 38 anos no setor petrolífero, inclusive para a PDVSA. Ele diz que faltam investimentos, não somente em Maracaibo. "Na Venezuela há no momento mais de 20 mil poços paralisados, que poderiam produzir de forma rentável".

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Plataformas de extração nas águas do Maracaibo

Gonzalez acusa o setor petrolífero estatal de desorganização e falta de transparência. Desde a demissão de cerca de 18 mil funcionários, a empresa não teria se recuperado mais.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a produção da Venezuela caiu de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) em 1997 para 2,4 milhões em julho de 2006. "O governo afirma que continua extraindo 3,3 milhões de bpd, mas desde 2003 não publica dados consolidados nem balanço", diz Gonzalez.

Além disso, o número de acidentes em instalações da empresa teria aumentado. Em julho, um incêndio danificou a maior refinaria da América Latina em Paraguaná. DW-WORLD tentou em vão, durante semanas, obter informações da PDVSA sobre o caso.

A greve e suas conseqüências

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Muitos petroleiros demitidos tiveram que deixar o país

Entre dezembro de 2002 e janeiro de 2003, a oposição tentou derrubar Chávez com uma greve geral. A petrolífera estatal foi o centro da resistência. A greve e as demissões transformaram-se em mito, explorado politicamente pelos dois lados.

A oposição afirma que, com as demissões, a PDVSA perdeu todo o seu know-how. Todos os postos-chave teriam sido distribuídos por critérios políticos. O governo acusa os grevistas de terem paralisado a empresa através de sabotagem.

"As conseqüências foram graves. Sobretudo pessoal altamente qualificado foi demitido: engenheiros, geólogos, técnicos e economistas", diz Xavier Fernandez, da prestadora de serviços Pioneer. Muitos especialistas tiveram de abandonar a Venezuela porque as empresas estrangeiras foram proibidas de empregá-los.

Novas condições

Hoje a indústria petrolífera da Venezuela está novamente nas mãos do Estado. Partidários de Chávez festejam. Finalmente, a riqueza do petróleo beneficia a população e não desaparece no bolso dos executivos estrangeiros, dizem.

A lei sobre combustíveis fósseis só permite a empresas de outros países participar de projetos na área do petróleo na forma de companhias mistas controladas pela PDVSA, com no máximo 49% de capital estrangeiro.

As taxas e os impostos sobre o petróleo extraído e sobre o lucro foram aumentados drasticamente. Além disso, os conglomerados estrangeiros têm de pagar cerca de quatro bilhões de dólares de impostos retroativos ao período 2001-2004.

Desde janeiro deste ano, todos os 32 poços de petróleo estão sob controle da PDVSA. Nem todas as firmas aceitaram as novas condições. A norte-americana Exxon Mobil e a norueguesa Statoil decidiram vender parte da suas participações na exploração do petróleo venezuelano.

O futuro está no Orinoco

Mesmo assim, o negócio do petróleo permanece lucrativo, enquanto o preço continua elevado. Ele torna rentável até mesmo a exploração das reservas de petróleo extrapesado da bacia do Orinoco.

"Maracaibo é o passado, Orinoco é o futuro", diz Fernández. Numa faixa de 600 km de comprimento e 70 km de largura, paralela ao Rio Orinoco, encontram-se as maiores reservas de petróleo do mundo. O governo fala de 1,37 bilhão de barris, dos quais 236 milhões seriam aproveitáveis com a tecnologia atual. Atualmente, a Venezuela tem reservas certificadas de cerca de 81 bilhões.

"O petróleo da bacia do Orinoco é único em sua péssima qualidade", diz Fernandez. "Ele contém muito enxofre. Mas diante do alto preço do produto, sua exploração compensa", diz Fernandez.

Projetos ambiciosos

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Exportar petróleo para a China não faz sentido, diz perito

Ainda não se sabe quanto das novas reservas é aproveitável. Atualmente são produzidos apenas 600 milhões de barris na bacia do Orinoco. "Já foram investidos 17 bilhões de dólares nos quatro poços instalados", diz Gonzalez. "O governo quer instalar ao todo 27 blocos. Isso não faz sentido. Seriam necessários investimentos gigantescos em refinarias e infra-estrutura, a maior parte pela PDVSA, de acordo com a nova lei".

González e outros peritos consideram ilusórios os planos da PDVSA de elevar a cota de exploração a 5,8 milhões de bpd até 2012. A empresa usa grande parte de sua receita para financiar os programas sociais. Já há quem chame a estatal de empresa filantrópica com um departamento de petróleo.

"A PDVSA constrói estradas, escolas e hospitais, financia a conservação de monumentos, fomenta a arte, cultura e ciência. Mas seu principal negócio é desleixado", diz o cientista político Friedrich Welsch, da Universidade Simon Bolívar, em Caracas.

Até mesmo funcionários da PDVSA são céticos em relação aos planos de Hugo Chávez. Para muitos, o mais novo projeto – a construção de um gasoduto de 800 quilômetros da Venezuela à Argentina – não é política nem tecnicamente realista. "Seria mais barato liquefazer o gás e transportá-lo de navio", diz Gonzáles.

"Tudo poderia ser tão fácil. Temos o maior mercado do mundo às nossas portas: os EUA, que continuam cobrindo 11% de sua demanda com petróleo venezuelano." Mas Chávez prefere, futuramente, fornecer petróleo à China. "Um navio-tanque leva apenas quatro dias até os EUA, mas um mês e meio até a China. Isso não faz sentido."

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