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Ceticismo marca relações teuto-americanas

ef25 de fevereiro de 2004

Chances de normalização das relações teuto-americanas são avaliadas com ceticismo em Berlim, às vésperas do encontro de Schröder com o presidente Bush em Washington.

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Bush e Schröder fizeram as pazes em Nova York, em 2003Foto: AP

O pior da crise nas relações teuto-americanas, gerada pela resistência ferrenha da Alemanha à guerra no Iraque, parece superado. Mas ainda existem desilusões e desconfianças dos dois lados do Atlântico, que dificilmente serão superadas com a visita de dois dias que o chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, fará aos Estados Unidos nesta semana, a fim de encontrar-se com o presidente George W. Bush, em Washington. Esta avaliação realista foi feita pelo perito em política exterior Hans-Ulrich Klose, do Partido Social Democrata (SPD), presidido pelo chefe de governo Schröder.

No lugar da antiga confiança entre Berlim e Washington surgiu um pacto objetivo e nesse meio tempo ambos os parceiros reconheceram o que é necessário fazer, disse Klose. O político social-democrata advertiu, todavia, que ninguém se iluda pensando que o apaziguamento da contenda tenha acabado com as divergências entre os governos alemão e norte-americano sobre a questão do Iraque. "Mas o importante é que o presidente Bush se convenceu da necessidade de apaziguamento, porque a situação no Iraque não se desenvolveu como ele e seus conselheiros esperavam", constatou o deputado.

Manobras eleitorais?

Na campanha eleitoral em 2002, Schröder liderou a resistência contra a guerra no Iraque. Depois de cessados os principais combates, ele exigiu um papel maior das Nações Unidas no país e uma devolução rápida da soberania nacional aos iraquianos. Esta posição de Berlim gerou a pior crise entre Alemanha e EUA depois da Segunda Guerra Mundial.

Assim como outros governistas alemães, Klose advertiu que a recepção de Schröder na Casa Branca, nesta sexta-feira (27), não deve ser depreciada como mera manobra eleitoral do presidente Bush, que é candidato à reeleição. "Muito mais importante é a visão de Washington de que mesmo a única superpotência mundial não pode prescindir de aliados", disse ele. Por isso mesmo, muitos social-democratas esperam que Bush exija que a Alemanha assuma mais responsabilidades no cenário político mundial.

Além de tratar de questões bilaterais e internacionais com Bush, Schröder vai inaugurar em Jackson, capital do Mississipi, uma exposição do Museu de Dresden, chamada "The Glory of Baroque Dresden". A exposição no valor de US$ 9,5 milhões, financiada por doadores particulares, reúne 400 obras de arte, muitas das quais doadas pelo príncipes da Saxônia no século 17. As peças que sobreviveram aos bombardeios dos aliados em 1945 foram levadas para a União Soviética e devolvidas a Dresden em 1958.

Combate ao terrorismo

Innenminister Otto Schily und Tome Ridge der US-amerikanischen Heimaschutz-Behörde in Washington fälschungssicherer Ausweis Biometrie
Ministro alemão, Otto Schily, (dir.) e o secretário de Segurança Nacional dos EUA, Tom RidgeFoto: AP

A visita de Schröder aos EUA foi precedida pela do seu ministro do Interior, Otto Schily. Este acertou com Washington um programa de intercâmbio para treinamento de policiais que vão voar a bordo de aviões da Europa para os EUA. São os sky marshalls (xerifes do céu) exigidos pelo governo Bush como medida para prevenir atos terroristas. Para melhorar o padrão de segurança nos desembarques nos aeroportos norte-americanos, Washington exigiu dos alemães e europeus em geral que confeccionem passaportes com dados biométricos. Quem não possuir este novo tipo de documento precisará de visto ou simplesmente será impedido de entrar nos EUA.

Washington mantém o prazo de até 26 de outubro para a introdução do novo passaporte legível por máquinas, embora o ministro alemão tenha esclarecido as dificuldades técnicas e organizacionais da União Européia para cumprir a exigência. Schily conversou com os chefes do Departamento de Segurança Nacional, Tom Ridge, da Justiça, John Ascroft, da polícia federal FBI, Robert Mueller, e com a conselheira de segurança Condoleezza Rice.

Após seus encontros com Mueller e Rice, Schily desmentiu noticiário da imprensa de que o serviço secreto CIA não teria levado a sério as informações alemãs sobre um dos seqüestradores de avião dos atentados de 11 de setembro de 2001. "Não se pode acusar ninguém", disse o ministro alemão.