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Mundo

Cerimônia marca fim da missão de 13 anos da Otan no Afeganistão

Segurança será transferida oficialmente em 1º de janeiro para o Exército afegão. Talibã diz que evento em Cabul representa fracasso da missão americana, que segundo Obama termina de maneira responsável.

Uma cerimônia simbólica nos quartéis da Otan em Cabul marcou neste domingo (28/12) o fim dos 13 anos da missão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão (Isaf), que, a partir do dia 1º de janeiro, deixará oficialmente de ser de combate para se dedicar à assistência às forças de segurança locais.

"Juntos conseguimos erguer o povo afegão da escuridão e desespero, e demos a eles esperança no futuro", afirmou o comandante da Isaf, John Campbell, na cerimônia organizada em segredo devido à ameaça de ataques talibãs. "Tornamos o Afeganistão mais forte, e nossos países, mais seguros."

No dia 1º de janeiro, uma missão do Exército afegão assumirá a missão de combate da Isaf, que teve cerca 3.500 soldados estrangeiros desde 2001. No entanto, cerca de 12.500 militares continuarão no Afeganistão para ajudar na formação e dar suporte aos 350 mil efetivos das forças de segurança locais.

Em seu auge, em 2011, as forças da Otan contaram com até 130 mil soldados procedentes de 50 países. Os militares afegãos estão encarregados da segurança nacional desde meados do ano passado e, agora, enfrentam praticamente sozinhos o Talibã, que esteve no poder de fato no país entre 1996 e 2001.

A cerimônia realizada em Cabul, na qual a bandeira da Otan foi hasteada, foi classificada de fracasso pelos talibãs.

"Os 13 anos de missão americana e da Otan foram um fracasso absoluto no Afeganistão. A cerimônia de hoje representa seu fracasso", declarou à agência de notícias AFP Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou em seu discurso de Natal: "Em poucos dias a missão de combate no Afeganistão terá terminado, e nossa guerra mais longa terminará de maneira responsável."

Mais de 3 mil civis mortos em 2014

De acordo com a ONU, as vítimas civis aumentaram 19% em 2014, com 3.188 mortos até o fim de novembro. Além disso, mais de 4.600 homens da polícia e do Exército afegãos perderam a vida nos dez primeiros meses de 2014.

Desde 2001, a comunidade internacional destinou bilhões de dólares ao Afeganistão, mas a sua eficácia é relativa diante da corrupção no país. Em 2014, a eleição presidencial – que deveria representar um marco da reconciliação e transição democrática no país – foi marcada por acusações de fraude entre os dois candidatos no segundo turno.

A Comissão Eleitoral confirmou a vitória de Ashraf Ghani contra o rival Abdullah Abdullah. Os dois, que deveriam formar um governo de unidade nacional, ainda não entraram em acordo para nomear os ministros três meses depois da posse do presidente eleito. Já o Talibã aproveita o vazio político para se manter em posição de força em caso de eventuais negociações com o novo gabinete.

Os ataques realizados pelos talibãs nas últimas semanas em Cabul tiveram como alvo residências de estrangeiros, comboios diplomáticos, ônibus e o Exército afegão, assim como o centro cultural francês. O ex-presidente afegão Hamid Karzai (2001-2014) iniciou negociações preliminares com os talibãs, mas elas fracassaram no ano passado.

Antes do fim de 2015, as tropas americanas serão reduzidas à metade no Afeganistão. E no fim de 2016 apenas uma força militar básica será mantida para proteger a embaixada em Cabul. Os EUA continuarão fornecendo apoio aéreo aos afegãos e poderão intervir diretamente em caso de rápido avanço dos talibãs.

FC/afp/ap/rtr/lusa

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