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Mundo

Cerimônia em Srebrenica é marcada por violência

Alvo de pedradas, o primeiro-ministro da Sérvia foi obrigado a deixar o local cercado por guarda-costas. Homenagem marcou os 20 anos do massacre praticado por tropas sérvias, que vitimou 8 mil muçulmanos.

O primeiro-ministro sérvio, Aleksandar Vucic, foi forçado a deixar a cerimônia dos 20 anos do massacre de Srebrenica neste sábado (11/07) cercado por guarda-costas. Em meio a vaias, o público jogou garrafas d'água e pedras contra o político que se recusa a reconhecer o episódio como genocídio.

Vucic foi atingido na cabeça por uma pedra e teve os óculos quebrados, de acordo com a agência de notícias estatal Tanjug. O primeiro-ministro colocava uma flor em frente ao monumento onde estão os nomes das mais de 6,2 mil vítimas identificadas e enterradas no local, quando uma multidão começou a gritar "Allah Akbar" ("Deus é grande") e a arremessar os objetos na direção do governante.

O ministro das Relações Exteriores da Sérvia, Ivica Dacic, classificou o episódio de violência contra Vucic como um "ataque" ao país. "Ao se inclinar para as vítimas, o primeiro-ministro se comportou como um chefe de Estado", afirmou. O ataque "é uma consequência negativa de politizar um assunto que tem trazido novas divisões e ódio em vez de reconciliação."

Em comunicado, Vucic condenou o massacre praticado por tropas sérvias contra cerca de 8 mil muçulmanos na cidade de Srebrenica, na Bósnia e Herzegovina, há exatos 20 anos.

"Não há palavras para expressar o lamento e a tristeza pelas vítimas, e a raiva e a amargura com os que cometeram esse monstruoso crime", afirmou. "A Sérvia condena claramente e sem ambiguidades esse horroroso crime, fica indignada com quem participou dele e continuará a levar os responsáveis à Justiça."

Em discurso, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton pediu que a recordação da matança sirva para a Bósnia construir um futuro de unidade e democracia. Clinton estava à frente do governo norte-americano na época e arquitetou os acordos de paz de Dayton, que puseram fim ao conflito na Bósnia.

"Permitam que esse momento não se resuma apenas a uma recordação da tragédia", declarou às dezenas de milhares de pessoas, entre familiares de vítimas e sobreviventes, que participaram da cerimônia no Centro Memorial de Potocari.

Um cortejo de caixões com 136 corpos de vítimas identificados recentemente por testes de DNA fez parte das homenagens em Srebrenica.

Discordâncias

O massacre, classificado pela Justiça internacional como "genocídio", ocorreu em 11 julho de 1995, durante a Guerra da Bósnia. Srebrenica tinha sido declarada "zona protegida" pela Nações Unidas. O assassinato de 8 mil homens e rapazes muçulmanos pelo exército sérvio é considerado uma das maiores matanças desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A Sérvia se recusa a classificar o episódio como genocídio. Radovan Karadzic, ex-presidente da República Sérvia da Bósnia-Herzegovina, hoje parte do território da Bósnia e Herzegovina, e o general Ratko Mladic são julgados por esse crime pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII).

KG/ap/lusa

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