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Cultura

Cemitério para desterrados: Grass mais uma vez nas telas

Estreou nas salas alemãs o filme "Maus presságios", baseado na obra homônima de Günter Grass. Um acerto de contas tragicômico com o processo de expulsão durante a Segunda Guerra Mundial.

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Alexander Reschke (Matthias Habich) e Aleksandra Piatkowska (Krystyna Janda)

O destino dos desterrados continua sendo uma ferida aberta na história alemã, um tema sobre o qual se evita falar, pois logo atrai acusações de revanchismo. A versão cinematográfica teuto-polonesa de Maus presságios ( Unkenrufe), de Günter Grass, tenta agora uma abordagem tragicômica da ruptura entre Leste e Oeste. A temática está aqui encrustada numa história de amor entre um alemão e uma polonesa.

Juntos, eles inauguram um cemitério, com o fim de realizar o último desejo dos que foram expulsos durante a Segunda Guerra Mundial: serem enterrados na terra natal. "Espero que acabemos com a cobrança, de ambos os lados", declarou Günter Grass, cuja família também pertence aos deslocados. Porém é necessário que fique claro quem começou as expulsões.

Amor tardio

Panoramabild: Unkenrufe, eine Verflimung nach einer Vorlage von Günter Grass

Alexander Reschke (Matthias Habich) e Aleksandra Piatkowska (Krystyna Janda) em 'Maus presságios'

Alexander Reschke (Matthias Habich) retorna à sua cidade natal, na busca de monumentos artísticos. Lá ele inicia um relacionamento com a restauradora Aleksandra Piatkowska (Krystyna Janda, Mephisto). O sólido romance entre os dois cinquentões já justifica a ida ao cinema: ele começa na Praça do Mercado de Gdansk, cidade natal de Grass, em 1989, ainda antes da queda do Muro de Berlim.

Os protagonistas têm muito em comum: seus nomes, o estado civil – são viúvos – e o fato de serem desterrados do Leste. Aleksandra veio de Vilnius (atualmente Lituânia) para Gdansk, Alexander escapou desta cidade para a Alemanha Ocidental. O maduro duo de atores explora com leveza competente todo o potencial de ambigüidade já contido na fonte literária.

Sua surpresa parece totalmente genuína, ao descobrirem que seus pais compartilhavam um mesmo desejo: serem sepultados na terra natal. Durante um brinde, nasce a idéia: um cemitério da reconciliação teuto-polonês – não, "Vocês começaram a guerra!" – ou melhor, polono-alemão.

Maus presságios

Mesmo sem as inserções da imagem de uma rã (símbolo de mau agouro), logo fica claro: o plano não pode dar certo. Cortes rápidos mostram como a empreitada encontra convenientes investidores no Oeste e funcionários cooperativos no Leste.

Em seus melhores momentos, a tragicomédia de Robert Glinski, sustentada por um elenco admirável, se transforma num irônico romance picaresco. Pois, após a contenção inicial, começam alentadas brigas, onde se deixa de lado qualquer resquício do que seja politicamente correto. E se fazem enormes lucros – à revelia do casal fundador.

Panoramabild: Film Unkenrufe

Cena de 'Unkenrufe' (Robert Glinski, 2005)

Como porta-vozes anticapitalistas de Grass, Alexander e Aleksandra lamentam a vergonhosa comercialização do ramo do luto. E, no meio tempo, a ganância internacional fomenta espantosamente o entendimento entre os povos.

Tudo , menos um segundo Titanic

Grass-Buch verfilmt: Uraufführung von Unkenrufe in Danzig, Porträt Glinski (l.) und Grass (r.)

O diretor de 'Unkenrufe', Robert Glinski (esq.), ao lado do escritor Günter Grass

"Acho que o filme transmite bem a idéia do livro, inclusive seu tom irônico", revela Grass. O escritor elogia o tom tragicômico escolhido pelo diretor para a narrativa e diz que os protagonistas são excelentes. Apenas os uniformes nos flashbacks lhe pareceram novos demais.

Grass, nascido em 1927, não está sempre de acordo com as versões cinematográficas de suas obras: "Acho que a filmagem de A ratazana não foi bem sucedida, e Gato e rato também não corresponde ao que eu imaginara". Quanto a O Tambor, dirigido por Volker Schlöndorff (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1979) ele continua considerando bom.

Agora Grass está estudando uma proposta para levar às telas seu Passo de C aranguejo, que trata do naufrágio do navio de fugitivos Wilhelm Gustloff: "Mas é preciso tomar muito cuidado. Se parecer que vai resultar numa segunda filmagem do Titanic, então vou ter que dizer 'não'."

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