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Economia

Celulares usados para o Terceiro Mundo

Empresário antecipa-se a fabricantes e ao comércio de equipamentos de telefonia móvel e oferece solução para eliminar celulares usados: revendê-los para países em desenvolvimento e emergentes.

Um ex-banqueiro escocês está ganhando dinheiro com aquilo que para a indústria e o comércio de telefonia móvel é uma dor de cabeça. Diretriz da União Européia determina que, até agosto de 2004, cada país deverá ter incluído em sua legislação nacional a obrigação de fabricantes e importadores de aparelhos elétricos e eletrônicos assumirem o destino final de seus produtos, quando os consumidores não os quiserem mais.

O objetivo é impedir que o ferro-velho eletroeletrônico – não biodegradável e cheio de componentes nocivos ao meio ambiente (arsênico, cádmio, chumbo, mercúrio e bromo, entre outros) – acabe em aterros sanitários ou abandonados em qualquer canto. Estima-se que a sucata seja de um milhão de toneladas ao ano, 70% dela composta por grandes eletrodomésticos de cozinha, como geladeiras e fogões.

Enquanto toda a indústria quebra a cabeça para cumprir a norma, vista como um encargo a mais – e portanto fonte de despesas –, Colin Armstrong-Bell abriu a Greener Solutions, dedicada apenas ao reprocessamento de telefones celulares. Após dois anos de sucesso na Grã-Bretanha, o empresário está faturando agora na Alemanha e pretende em breve expandir seu negócio para outros países europeus.

Solução ecológica, social e lucrativa

A idéia parece inteligente, ecologicamente correta e com fim social. Armstrong-Bell procura mobilizar os proprietários de celulares usados e desativados a enviá-los para sua empresa, cuja filial alemã está sediada em Munique. O genioso ex-banqueiro atrai seus fornecedores com a promessa de doar de três a cinco euros para organizações ambientalistas e entidades de caridade para cada aparelho que lhe for remetido.

Claro que ele também assume os custos do envio pelo correio (cerca de dois euros), assim como já providenciou a embalagem para tal: saquinhos plásticos oferecidos nos pontos de venda das operadoras associadas, assim como outros estabelecimentos comerciais. "É preciso facilitar a colaboração dos usuários o máximo possível", diz o empresário.

Revenda só para o exterior

Somente estes custos já inviabilizam qualquer plano de se tentar lucrar com a reciclagem dos minúsculos componentes de um telefone celular. Por isto, embora também promova a reciclagem, a Greener Solutions vive da revenda dos aparelhos ainda em boas condições de funcionamento, ou seja, cerca de 45% daqueles que recebe. Armstrong-Bell assumiu, porém, o compromisso com as operadoras parceiras de não revendê-los em suas áreas de atuação.

O mercado deste negócio está sobretudo em países em desenvolvimento e emergentes, onde a telefonia móvel ainda engatinha principalmente pela falta de poder aquisitivo dos possíveis usuários. Assim, os aparelhos de segunda mão da Greener Solutions vão parar na Ásia, Europa Oriental, África e também na América do Sul.

Fabricantes receiam danos à imagem

Cerca de 60 funcionários trabalham na unidade de Munique, onde já se recebeu cerca de 150 mil celulares. Lá eles são avaliados. Aqueles em boas condições passam por manutenção e são preparados para exportação. Os demais são encaminhados para reciclagem de seus componentes. A empresa estima que na Alemanha existam 120 milhões de telefones móveis, dos quais a metade estaria desativada.

A iniciativa não deixa de ser polêmica. Entre os fabricantes há resistência. Por um lado, eles temem a qualidade dos aparelhos revendidos com a sua marca. Por outro, receiam que as empresas possam vir a ser acusadas de estar empurrando o abacaxi do lixo eletrônico para os países pobres do planeta.

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