Celibato não é tabu para presidente da Conferência dos Bispos Alemães | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 20.02.2008
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Alemanha

Celibato não é tabu para presidente da Conferência dos Bispos Alemães

Por declarações que colocam o celibato em questão, o arcebispo Robert Zollitsch, novo presidente da Conferência dos Bispos Alemães, provoca debates e reações entre católicos do país.

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Zollitsch (d.) sucedeu Lehmann (e.) na Conferência dos Bispos Alemães

Conhecido por suas posições objetivas sobre temas sócio-políticos atuais, o arcebispo Robert Zollitsch, eleito na semana passada novo presidente da Conferência dos Bispos Alemães, fez jus à fama e declarou, em entrevista à revista Der Spiegel, que não se devia fazer do celibato um tabu.

Segundo Zollitsch, uma ligação entre o clero e o celibato "não seria, teologicamente, necessária". O arcebispo de Freiburg criticou ainda a União Democrata Cristã (CDU), partido da chanceler federal Angela Merkel, por se aproximar demais de idéias do neoliberalismo e esquecer aspectos de ordem social.

Zollitsch censurou o presidente da Igreja Luterana Alemã, Wolfgang Huber, por ter mudado de idéia quanto a pesquisas com células-tronco embrionárias, contra a qual se posiciona a Igreja Católica.

Novos ramos da sociedade

Erzbischof Robert Zollitsch ist neuer Vorsitzender der Deutschen Bischofskonferenz

Zollitsch tem claras posições sócio-políticas

Considerado uma pessoa de consenso e com um grande talento organizacional, o arcebispo de 69 anos assumiu, na segunda-feira (18/02), o cargo de sucessor do cardeal Karl Lehmann na presidência da Conferência dos Bispos Alemães.

Em entrevistas à revista Der Spiegel e ao jornal Bild, Zollitsch declarou-se a favor de uma abertura geral da Igreja Católica para novos ramos da sociedade.

O arcebispo de Freiburg declarou entender a dor sentida por casais separados: Eles também são membros da Igreja e precisam de apoio espiritual, declarou. Quanto à homossexualidade, Zollitsch explicou que não se trataria de uma questão de liberalidade, mas de realidade social.

Além de suas posições sócio-políticas, suas declarações a favor da discussão sobre a obrigatoriedade do celibato têm provocado reações entre os católicos alemães. Bispos conservadores, como Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburg, reagiram contrariamente às declarações de Zollitsch.

"Uma entrevista não é uma dissertação"

O Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK) e o movimento católico Nós Somos Igreja, se posicionaram a favor de Zollitsch e contra as críticas do bispo de Regensburg. Zollitsch havia afirmado à Der Spiegel, que o celibato seria "um grande presente", mas uma ligação entre o celibato e o clero não seria, teologicamente, necessária. Zollitsch prefere ver o celibato como opção.

Vatikanisches Konzil 1963

Celibato seria tema para concílio, afirma Zollitsch

Especulações sobre uma possível modificação da regra foram rebatidas pelo bispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Müller, que criticou a superficialidade da entrevista dada por Zollitsch.

Em defesa de Zollitsch, Hans Joachim Meyer, presidente da ZdK, afirmou "uma entrevista não é uma dissertação. Concordamos, de todo coração, com as declarações do arcebispo Zollitsch em sua entrevista".

Na mencionada declaração, o arcebispo de Freiburg afirmou ser cético quanto à revogação da regra que se tornou lei eclesiástica em 1139. "Seria uma revolução da qual parte da Igreja não participaria", explicou. Zollitsch acrescentou que esta não seria uma questão a ser tratada por cada país, mas por toda a Igreja Católica e, para tal, um concílio seria necessário. (ca)

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