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Alemanha

CDU luta contra crise de identidade

Partido da chanceler federal Angela Merkel, historicamente de tendência conservadora, realiza congresso para repensar princípios básicos, enfrentar queda de popularidade e neutralizar forte criticismo interno.

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Para Merkel, CDU precisa se adequar à nova realidade política

Há 12 anos a CDU (União Democrata Cristã), que atualmente lidera a coalizão governista na Alemanha, não se reunia para rediscutir os princípios básicos e a linha de atuação do partido. Mas o encontro acontecido na terça-feira (22/08) em Berlim teve caráter de urgência. Os democratas-cristãos enfrentam uma grave crise de popularidade entre os eleitores e uma onda de criticismo dentro do próprio partido.

A chanceler federal Angela Merkel, que fez o principal discurso do congresso, afirmou que o partido precisa se adaptar às novas realidades. "Desde a última vez em que nossa plataforma foi decidida, em 1994, muitas coisas no mundo, em nosso país e até mesmo em nosso partido mudaram. Essas mudanças devem ser refletidas em nosso programa", declarou.

A CDU ganhou as eleições em setembro de 2005 com uma diferença de apenas cinco pontos porcentuais sobre o SPD (Partido Social Democrata), resultado que praticamente obrigou os conservadores a fazer uma coalizão com os até então inimigos social-democratas. De acordo com recente pesquisa feita no país, a atual diferença entre os dois partidos, caso ocorressem novas eleições, seria de apenas um ponto porcentual em favor da CDU.

Inconsistência política?

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Jörg Schönbohm cobrou a desoneração do setor produtivo

Para os líderes do partido que são mais favoráveis à livre iniciativa e que tradicionalmente representam os interesses do empresariado, a razão da queda na popularidade estaria no visível deslocamento para a esquerda por parte do governo de Angela Merkel. Eles reclamam da elevação de três pontos porcentuais no imposto sobre valor agregado (IVA) e do aumento de alguns benefícios sociais, que teria onerado os empregadores e conseqüentemente reduzido a competitividade da indústria alemã.

Segundo o principal líder democrata-cristão no Estado de Brandemburgo, Jörg Schönbohm, o partido tem se comportado de forma incoerente. "Muitos eleitores da CDU estão decepcionados com a direção adotada pelo partido. Além disso, trata-se de uma direção que não é clara ou consistente", declarou em entrevista ao jornal alemão Bild.

Merkel rebateu os clamores por uma maior liberalização da economia, dizendo que a CDU começou como um partido do povo e deve seguir assim. "Nós envolvemos toda a Alemanha, somos um partido de todos", disse a chefe de governo, passando a mensagem de que a CDU não representa exclusivamente o segmento empresarial.

Reformas tímidas

Vertrauensfrage Bundestag Bundeskanzler

Dificuldades para obter consenso no Parlamento impediram reformas mais profundas

Outros analistas explicam a linha mais moderada adotada pelos conservadores como a única saída para viabilizar a coalizão feita com o SPD. A aliança teria demandado dos dois partidos a adoção, no Parlamento, de decisões em consenso, portanto de caráter mais neutro, em nome da governabilidade.

Heribert Prantl, que coordena a editoria política do jornal alemão Süddeutsche Zeitung, entende que a moderação dos democratas-cristãos seja também uma busca de popularidade diante do eleitorado alemão. Ele recorda que a chanceler federal havia prometido, durante a campanha, reformas mais abrangentes que as realizadas por seu antecessor, o social-democrata Gerhard Schröder, mas não pôde realizá-las.

"Cautela política"

Prantl entende que o CDU "puxou o freio de mão" principalmente para não perder votos nas próximas eleições estaduais, que acontecem em setembro nas unidades federadas de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, atualmente governadas por coalizões entre o SPD e o Partido de Esquerda. "Merkel tem demonstrado cautela política porque compreendeu que os alemães não querem reformas radicais", analisou.

CDU-Generalsekretär Ronald Pofalla

Ronald Pofalla: CDU precisa de um 'novo entendimento do conceito de justiça'

Os principais líderes democratas-cristãos não escondem que o congresso do partido servirá para a definição de novos rumos e para estabelecer mudanças estruturais. "Precisamos encontrar novos caminhos para o futuro. Temos que desenvolver um novo entendimento do conceito de justiça, no qual solidariedade e auto-suficiência encontrem um novo equilíbrio", observou Ronald Pofalla, secretário-geral do CDU.

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