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Mundo

Católicos aumentam na Europa ampliada

Em oito dos dez novatos na União Européia, a maioria da população declara-se católica. Somente na Estônia e Letônia, o peso dos protestantes é maior. Mas o papel que as igrejas desempenham diverge de um país a outro.

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Sacerdotes católicos e ortodoxos durante missa em Aachen, Alemanha

Ao lado de Malta, a Polônia constitui uma exceção na União Européia: 95% de sua população segue a Igreja Católica, sendo que a metade vai regularmente à missa aos domingos. A Polônia é o maior entre os novos países-membros, de modo que milhões de católicos devotos passam a engrossar a população da União Européia.

Mas foram justamente os representantes da Igreja que mais se opuseram aos planos de Varsóvia de integrar a comunidade. Eles temiam que as tendências ateístas do Ocidente acabassem acelerando um desenvolvimento indesejável numa sociedade em que a religião faz parte da vida das pessoas.

Há de fato quem espere mudanças: "O catolicismo é uma religião de pobres", afirma Magdalena Loniak, estudante polonesa. "Isso vai mudar quando as pessoas alcançarem um padrão de vida mais alto. Aí elas vão forçosamente perder a devoção." Uma suposição que corresponde às experiências em outros países que ingressaram antes na União Européia.

Mais bem-estar, menos religião?

Osterprozession in Sevilla

Procissão na Páscoa em Sevilha, Espanha

Tanto a Espanha quanto Portugal são fundamentalmente católicos. Mas a crença perdeu em importância, desde o ingresso dos dois países em 1986. Só que existe uma diferença fundamental: com exceção de Malta e do Chipre, os demais novos integrantes da UE são todos países do antigo Bloco Leste. Neles, as igrejas eram submetidas a repressão pelos regimes comunistas, os fiéis chegavam a ser perseguidos. Em vez de afastar as pessoas da Igreja, a opressão estatal criou um elo de fidelidade com a religião.

"O que vivenciamos nos últimos 50 anos foi a atividade espontânea e abnegada das igrejas e o prazer dos cristãos em assumir os riscos de sua prática religiosa", relata o cientista religioso húngaro András Máte-Tóth. Laços tão estreitos dificilmente se perdem: a Eslovênia e a Polônia, por exemplo, se bateram pela inclusão da palavra "Deus" no texto da constituição européia. E a Polônia não quer nem saber das diretrizes da UE na questão do aborto, atendo-se a suas leis rígidas.

Ateus crentes?

A Eslovênia, a Eslováquia e a Lituânia também têm maioria de católicos em sua população. Os únicos países com maiorias protestantes, entre os novos membros, são a Estônia e a Letônia. Assim, entre os 450 milhões de habitantes da UE ampliada, os católicos perfazem 60% (até agora, 55%), com cerca de 265 milhões de fiéis. A participação dos protestantes e anglicanos cai para 18%. Os cristãos ortodoxos passam dos atuais 11 milhões para 13 milhões.

Mas há também países em que a repressão durante o comunismo levou a uma redução drástica das pessoas religiosas. András Máte-Tóth e Paul Zulhener constataram num estudo que a República Tcheca (quase a metade dos 10 milhões de habitantes não tem religião), ao que tudo indica, é o lugar mais secularizado da Europa - ao lado do Leste da Alemanha.

Ainda assim, o secretário-geral do Conselho da Europa, Walter Schwimmer, admite a possibilidade de que o sentimento religioso se reacenda também nessas regiões. "A Albânia foi o primeiro Estado ateísta do mundo", recorda, "e mesmo lá a religião [islâmica] voltou a ter espaço na sociedade."

Heterogeneidade é a regra

Der griechisch-orthodoxe Patriarch H.B. Irinos

Patriarca H.B. Irinos I, da Igreja Ortodoxa Grega

A verdade é que a vida religiosa nunca foi uniforme, nem mesmo na "velha" União Européia. Numericamente os católicos sempre foram a maioria, havendo no entanto países quase 100% protestantes, como a Dinamarca e a Suécia. Já a Grécia é quase 100% ortodoxa. Na França e na Alemanha, vivem milhões de muçulmanos; na Grã-Bretanha, hindus e sikhs.

Mesmo no que diz respeito à relação entre a Igreja e o Estado co-existem diferentes modelos. Schwimmer lembra que a Grã-Bretanha tem o anglicanismo como religião oficial, sendo a rainha inclusive seu chefe, enquanto a França é um Estado laico. A Alemanha e a Áustria, por sua vez, têm um outro entendimento da relação entre Igreja e Estado.

Mais diversidade com a futura ampliação

Os próximos candidatos ao ingresso na UE são de crença ortodoxa: a Bulgária e a Romênia, que esperam ser admitidas em 2007. Na Romênia, dificilmente se reconhece outra religião além da ortodoxa, afirma a estudante Corina Golgorziu. O ingresso para a comunidade poderia ter como efeito que os romenos abram os olhos para o fato de que "existem outras religiões na Europa", acredita a jovem, que foi batizada na Igreja Ortodoxa.

Caso um dia a Turquia consiga ingressar na comunidade, o mapa religioso da Europa se modificará mais uma vez, com um aumento do percentual muçulmano em sua população. Mas este já é um capítulo para o futuro.

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