Catástrofe no Golfo do México ameaça existência da BP | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 12.06.2010
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Economia

Catástrofe no Golfo do México ameaça existência da BP

Comentários recentes de Obama fizeram ações da BP descer a 50% do valor anterior ao desastre da Deepwater Horizon. Irritados, ingleses ressaltam importância nacional da companhia e necessidade de ações construtivas.

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Avanço do óleo consome reputação e valor da BP

Para a BP, a catástrofe no Golfo do México não só se torna cada vez mais cara: também a imagem da companhia sofre sérios danos. Suas ações atingiram as cotações mais baixas dos últimos 14 anos: o valor da empresa na Bolsa reduziu-se à metade desde o acidente na plataforma Deepwater Horizon.

Suas reservas financeiras são consideráveis: em 2009, os lucros da BP PLC haviam aumentado 22%, alcançando 16,6 bilhões de dólares. Somente no primeiro trimestre deste ano, ela teve um ganho líquido de 6,1 bilhões de dólares, um acréscimo de quase 135%. Porém isso não basta agora para tirá-la da mira de uma incorporação hostil.

Palavras de Obama

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Obama não está para brincadeiras

Até pouco tempo, o governo britânico vinha observando à distância a queda das ações da BP, com a justificativa de serem problemas de uma empresa econômica, que ela própria deveria resolver. Nesse ínterim, porém, cresce a preocupação em Londres. O prefeito conservador da capital, Boris Johnson, revela-se incomodado com o tom antibritânico vindo de Washington.

"É ruim para nosso país quando uma companhia é espezinhada deste jeito, sua reputação desnecessariamente denegrida. As pessoas querem o fim dos insultos e acusações de culpa. Em vez disso, a questão deve ser o combate à mancha de petróleo e a suas consequências."

Na verdade, há muito mais em jogo, pois os acionistas desestabilizados abandonam em massa os títulos de valor da BP. E não se trata apenas da situação econômica da companhia. Com os fantásticos lucros dos últimos anos, ela está em condições de pagar 25 ou 30 bilhões de dólares ou libras esterlinas pelos efeitos da catástrofe, sem abrir falência: foram os recentes comentários públicos do presidente estadunidense Barack Obama que novamente precipitaram a cotação da BP no mercado financeiro.

Londres: "Agora chega!"

Tony Hayward

Tony Hayward, presidente da BP PLC

Segundo Obama, além dos custos pelo vazamento e as indenizações aos habitantes do litoral norte-americano, a BP deveria arcar também com os prejuízos dos trabalhadores que perderam seus empregos devido à suspensão da prospecção de petróleo no Golfo do México.

Para Londres, agora basta. Segundo Christopher Meyer, ex-embaixador britânico em Washington, está na hora de o premiê David Cameron comunicar ao líder político dos EUA que chega de provocação contra a BP.

"A sobrevivência da empresa é do interesse de longo prazo do Reino Unido, é um interesse nacional decisivo. Desejaríamos que o governo estadunidense enviasse menos 'ordens pelo megafone'. Elas têm influência ativa sobre as cotações na bolsa e sobre o valor da companhia".

No momento, investidores dos EUA já especulam se a parte norte-americana da BP PLC não seria candidata a uma incorporação hostil. Uma noção que apavora os aposentados ingleses, já que um sexto dos fundos de aposentadoria do país está aplicado em títulos da BP.

Autoria: Barbara Wesel (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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