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Mundo

Casos de doping na Volta da França geram revolta no ciclismo

O uso de substâncias proibidas mancha a mais importante competição mundial do esporte e, pela primeira vez, um campeão pode perder o seu título.

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O campeão Floyd Landis, ameaçado de eliminação após exame antidoping positivo

O presidente da União Internacional de Ciclismo (UCI), Pat McQuaid, jurou lançar uma cruzada contra o doping no esporte após os escândalos na edição deste ano da Volta da França. Nesta quinta-feira (28/07), foi anunciado que o exame antidoping do vencedor da competição, o norte-americano Floyd Landis, deu positivo para testosterona.

McQuaid salientou, porém, que, apesar de a primeira amostra de urina apontar para um caso de doping, é necessário esperar pela amostra B antes de começar um processo de punição. Mesmo assim, ele concordou com a afirmação de que a nuvem de suspeita que paira sobre Floyd é a pior forma de encerrar a edição deste ano da Volta da França.

McQuaid se disse enojado pela forma como as acusações de doping fizeram sombra ao evento esportivo este ano e prometeu para os próximos dias iniciar "uma cruzada contra o doping" para garantir que o problema não se repita. Ele preferiu não detalhar o plano. "Quaisquer decisões que tenhamos que tomar, faremos para ganhar desses caras [que se utilizam de substâncias proibidas]."

Críticas à UCI

Doping, Urinproben

Testes da UCI são criticados

O único aspecto positivo do caso Landis, para McQuaid, é que ficou comprovada a eficiência das medidas tomadas pela UCI. "Uma amostra B positiva seria uma pena para o ciclismo, mas provaria a eficácia do que vem sendo feito pela UCI e pelo mundo esportivo no combate ao problema."

Mas o programa antidoping do ciclismo foi criticado pelo presidente da Agência Mundial Antidoping, Dick Pound, após o novo escândalo. "Nós fizemos sugestões à UCI em relação a pontos que consideramos falhas graves nos protocolos de testes deles. Dissemos que uma das razões para não estarem obtendo o número esperado de testes positivos seria a existência de defeitos no processo."

Ele disse que a agência não perdeu a confiança no esporte, mas que mudanças são necessárias. "A primeira coisa que precisam fazer é reconhecer que há um problema que eles não estão sendo capazes de controlar", afirmou. "Nenhum esporte está imune a esse tipo de problema, mas o ciclismo certamente possui uma alta proporção de casos de doping."

O que outros falam a respeito

O executivo-chefe da Cycling Australia, Graham Fredericks, lamentou o ocorrido. Ele se disse frustrado com o fato de o esporte estar sendo novamente afetado numa época em que mostrava sólido progresso na luta contra o doping.

Três vezes campeão da Volta da França, o norte-americano Greg LeMond espera que seja comprovada a inocência de Floyd, mas disse que a culpa do campeão pode ser o "terremoto" necessário para "limpar" o esporte.

LeMond, que em 1986 se tornou o primeiro norte-americano a vencer a competição e voltou a ganhar em 1989 e 1990, disse que Floyd deve admitir sua culpa caso tenha mesmo feito uso de substâncias proibidas. "É a primeira vez na história da competição que o teste do vencedor dá positivo. É preciso ter coragem para anunciar isso", avaliou.

O presidente da Federação Alemã de Ciclismo, Rudolf Scharping, veio a público pedir um esforço maior no combate ao doping. Ele reclamou da falta de lei contra substâncias proibidas na Alemanha, fazendo eco ao pedido do governador da Baviera, Edmund Stoiber, para a criação de uma legislação antidoping.

Tour de France 2. Etappe Tom Boonen Belgien Sieger

Ciclismo tem alta proporção de casos de doping

Já o canal alemão de televisão ZDF anunciou que poderá parar de transmitir a Volta da França. "Nós fizemos um contrato de transmissão de um evento esportivo e não de uma demonstração de performances da indústria farmacêutica", declarou o diretor do canal, Nikolaus Brender.

Primeiro campeão desclassificado?

O teste de Landis deu positivo para a testosterona, de acordo com informação divulgada por sua equipe, a Phonak. Caso a segunda amostra também dê resultado positivo, o norte-americano será suspenso da equipe. O corredor negou que tenha se utilizado de substâncias proibidas e disse que vai lutar para limpar o seu nome.

"Eu não sei qual é a explicação para isso. Se foi um erro, se foi resultado de alguma outra situação ou se foi algo que eu fiz", disse. "Mas não foi o uso de nenhuma fonte exterior de testosterona."

Se a amostra B confirmar o uso de substância ilegal, o corredor de 30 anos perderá o título. Seria a primeira vez que um vencedor da Volta da França seria eliminado por doping. Nesse caso, o espanhol Oscar Pereiro, que terminou em segundo lugar, seria declarado campeão.

A equipe Phonak disse que Landis não competirá até que a questão esteja resolvida. Se o teste com a amostra B também der positivo, ele deverá ser dispensado.

Landis fez o teste de urina após uma brilhante corrida na etapa número 17, uma dura prova na região de Morzine, nos Alpes franceses. O norte-americano disse que na noite anterior, ele e alguns colegas de equipe estavam deprimidos e beberam cerveja e uísque no hotel.

A testosterona é um esteróide anabolizante que ajuda a aumentar a massa muscular e a força, reduzindo a quantidade de tempo necessário para o corpo se recuperar de atividade física, além de permitir que os atletas treinem por períodos maiores de tempo.

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