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Mundo

Casal de "caçadores de nazistas" é homenageado pela Unesco

Serge e Beate Klarsfeld são nomeados embaixadores da prevenção de genocídios. Eles são conhecidos pela documentação de judeus franceses deportados e pelo rastreamento de fugitivos nazistas.

O casal Serge e Beate Klarsfeld, conhecido pela documentação de todos os 76 mil judeus franceses deportados na Segunda Guerra Mundial e pelo rastreamento de criminosos nazistas para serem julgados, foi homenageado pela ONU nesta segunda-feira (26/10). Os dois foram nomeados embaixadores da prevenção de genocídios da Unesco, a agência para a educação, a ciência e a cultura.

A Unesco elogiou Serge, de 80 anos, e Beate, de 76, pelo incansável apoio à causa dos descendentes de judeus deportados e pelo "alerta de conscientização às sociedades para reconhecer suas responsabilidades históricas e morais" após a Segunda Guerra. "Vocês têm feito mais do que distribuir justiça. Vocês deram um nome, um rosto e uma história única àqueles que alguém tentou limpar da face da Terra", disse a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova.

Serge e Beate, também chamados de "caçadores de nazistas", trabalharão em projetos já existentes da Unesco que visam impedir o genocídio em lugares como Oriente Médio e África, embora a agência não tenha especificado as novas funções do casal.

Ambos foram homenageados também pelo governo alemão, na semana passada, quando receberam a maior condecoração da Alemanha, a Bundesverdienstkreuz, a ordem de mérito do país. Na ocasião, o embaixador alemão na França elogiou o casal por "reabilitar a imagem da Alemanha".

De acordo com Serge, o trabalho tem sido sempre sobre a "busca pela justiça para as vítimas, nunca a vingança". Juntos, o casal pressionou o governo francês a reconhecer a participação do país na deportação de judeus durante a ocupação. O reconhecimento foi dado pelo então presidente Jacques Chirac, em 1995.

A alemã Beate, natural de Berlim, e o advogado francês Serge, filho de um judeu assassinado em Auschwitz, tiveram papel determinante no rastreamento e na condenação de uma série de membros do alto escalão do regime nazista. A meticulosa pesquisa empreendida pelo casal auxiliou na prisão de Klaus Barbie, comandante em Lyon da Gestapo, polícia secreta do Terceiro Reich. Em 1983, Barbie foi encontrado na Bolívia e entregue às autoridades francesas.

Bofetão no chanceler

Em 1968, Beate ficou famosa na Alemanha ao dar um tapa na cara do então chanceler federal, Kurt Georg Kiesinger, durante uma convenção do partido União Democrata Cristã (CDU). A atitude foi um protesto contra o passado de Kiesinger como membro do partido nazista.

Graças à atenção que a imprensa deu ao incidente, Beate, então com 29 anos de idade, contribuiu para que o passado nazista do chefe de governo se tornasse amplamente conhecido no país. Klarsfeld, contudo, acabou condenada a um ano de prisão pelo ato – o que mais tarde foi revertido para quatro meses em liberdade condicional.

Em 2012, o partido A Esquerda lançou a candidatura presidencial de Beate Klarsfeld em oposição a Joachim Gauck, que acabou eleito. Coincidentemente, foi o próprio Gauck quem concedeu a ela a condecoração com a Bundesverdienstkreuz.

PV/afp/ap/rtr

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