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Mundo

Casa noturna na Baviera bane a entrada de refugiados

Decisão do clube "Amadeus", em Ingolstadt, gerou polêmica na Alemanha. Proprietário diz querer proteger frequentadores e propõe usar "mentores" para informar imigrantes sobre como se comportar na vida noturna germânica.

A Alemanha luta para se mostrar aberta, plural e receptiva aos estrangeiros e imigrantes, na tentativa de se desvencilhar das amargas e inevitáveis lembranças da Segunda Guerra. Mas volta e meia casos de racismo ocupam as manchetes dos jornais. Desta vez, a polêmica envolve a vida noturna no sul do país.

Em Ingolstadt, cidade com cerca de 130 mil habitantes, localizada a uma hora de Munique, em breve algo estranho pode começar a acontecer: requerentes de asilo poderão, em breve, distribuir panfletos com um manual de comportamento para casas noturnas, informando outros refugiados como se portar de maneira apropriada, principalmente em relação às mulheres europeias.

A "solução" é sugerida para o conflito deflagrado quando Martin T., propietário da boate Amadeus, em Ingolstadt, anunciou a decisão de banir refugiados do estabelecimento, no começo da semana passada.

Legalmente, um empresário alemão tem o direito de negar entrada a qualquer pessoa que ele não queira em seu estabelecimento. Mas devido ao escândalo provocado pelo banimento, considerado racista, a cidade e o empresário lançaram a ideia da "conscientização".

Hamado Dipama

Dipama: lei que pune discriminação prevalece sobre direito a regras internas de casas noturnas

Controvérsia

Martin T. disse que não gostaria de ter tomado a drástica atitude de banir refugiados, mas não via outra saída. Ele alegou que nunca teve problemas sérios no local até dezembro de 2014, quando novos estrangeiros chegaram à cidade para requerer asilo. Ele disse que várias vezes homens importunaram as mulheres, roubaram casacos de outras pessoas e tentaram conseguir bebida de graça.

Em uma entrevista para o jornal Süddeutsche Zeitung, ele falou claramente por que não quer refugiados na boate: "os negros têm problemas com as mulheres, e os arabes têm problemas com agressão", declarou.

O ativista pró-refugiados Hamado Dipama não acreditou que Martin T. tenha ficado impune de uma declaração abertamente racista. Ele também não quer que a cidade proponha alternativas ao banimento. Dipama pede às autoridades que deem ao proprietário da casa noturna pelo menos uma advertência, além de ter apresentado, ele próprio, uma queixa contra Martin T. e a boate na agência reguladora do município.

"Esse racismo aberto é realmente uma novidade. É impressionante ouvir isso em pleno século 21", disse Dipama.

Martin T. enfatiza que está apenas tentando proteger os clientes após um número de incidentes envolvendo residentes da casa de refugiados. Em um pronunciamento no Facebook, ele escreveu que a "medida temporária" é completamente contra suas "crenças sociais".

Hamburg Flüchtlingsheim Anwältin Hendrikje Blandow-Schlegel

Para Hendrikje Blandow-Schlegel, banimento pode atrair atenção indesejada de grupos de extrema direita.

Fundador da Rede por uma Baviera Livre do Racismo e da Discriminacao, Dipama acredita que o banimento não é apenas antissocial, mas tambem ilegal. Ele reconhece que o proprietário de uma casa noturna pode operar o estabelecimento como quiser. Mas, segundo Dipama, Martin T. violou a Lei Alemã de Tratamento Igualitário, que proíbe a discriminacão baseada em raça, etnia, gênero, religião ou orientação sexual. E a lei, conforme o ativista, prevalece sobre o direto do proprietário de estabelecer as próprias regras internas.

Reação do público

A advogada Hendrikje Blandow-Schlegel, que fundou uma iniciativa de ajuda para refugiados em Hamburgo, alerta para o fato de que o banimento, mesmo desfeito, pode atrair a indesejada atenção de grupos neonazistas.

"A questão é como o público reagirá a isso. O local pode atrair certas pessoas que apoiam o banimento. E não seriam pessoas com as quais eu gostaria de ser associada", diz Hendrikje.

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