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Cultura

"Casa e Jardim", de Alan Ayckbourn, estréia em Bochum

Uma comédia com dois atos representados simultaneamente em lugares diferentes, e que ridiculariza a sociedade inglesa, de alto a baixo.

A comédia em dois atos de Alan Ayckbourn, intitulada "Haus & Garten" (Casa e Jardim), que estreou sábado (13) no renomado Teatro Municipal de Bochum, é uma peça fora do comum. Ela é composta de duas partes, intrinsecamente ligadas. Enquanto o "Jardim" é encenado no grande palco, ao mesmo tempo o outro ato, "Casa" é representado na sala menor do teatro. O elenco é o mesmo, o que supõe que os atores ficam trocando de local.

E o público, como faz para assistir os dois atos em lugares diferentes – perguntarão, com justa razão, os leitores. O espetáculo é apresentado duas vezes por dia, uma à tarde, outra à noite, e o jeito é ir duas vezes ao teatro, para ter uma visão do todo.

Quando da estréia mundial, no Royal National Theatre de Londres, nada mais nada menos, o público delirou. A recepção em Bochum foi muito favorável, o que não impediu que o diretor David Mouchtar-Samorai ouvisse um pouco de vaias, ao subir no palco no fim da apresentação.

A figura central é Teddy Platt, chefe da família mais importante de um povoado em plena província na Inglaterra, o dono da notável propriedade onde tudo acontece. No jardim, prepara-se uma festa para toda a cidadezinha. Teddy, que está chegando aos 50, espera a visita de um ex-colega, agora assessor do primeiro-ministro. O Partido Conservador procura desesperadamente candidatos para a próxima eleição.

Seguindo as maldosas leis da comédia e a lei de Murphy, sai errado tudo o que pode dar errado. A previsão do tempo é incisiva: nuvens negras no horizonte e é isso o que acontece realmente: as esperanças de Teddy de uma carreira política arrebentam como bolhas de sabão. Se "Casa" pode ser lida como um acerto de contas de Ayckbourn com a high society inglesa, o outro ato, "Jardim", complementa o panorama social: a classe média e a menos favorecida não escapam à crítica mordaz. Nesse sentido, a divisão em atos "gêmeos" correspondentes e complementares é uma brilhante composição.

O autor faz uso de todos os recursos da comédia, mas apesar do quadro sombrio que traça da sociedade inglesa, nenhuma das fraquezas é retratada como algo definitivo ou um destino inexorável: há um certa margem para melhoras. O ritmo de "Casa" foi mais denso. Joachim Król, brilhante ator de teatro e cinema, fez seu personagem passar por todos os altos e baixos do papel. E se o restante do elenco deixou a desejar, segundo alguns críticos, isso não desmerece o espetáculo.

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