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Cultura

"Casa da vida": um cemitério judaico português

Imagens e escritos em pedra revelam quase quatro séculos da vida dos sefarditas do norte da Alemanha.

No século 17, cerca de 1200 judeus portugueses viviam em Hamburgo. Em 1611, inauguraram seu próprio cemitério, na Königstrasse, no bairro de Altona, o qual foi mantido até 1869. O conjunto das mais de seis mil lápides erigidas nesse período – a maioria ricamente ornamentada – compõe uma das mais importantes necrópoles judaicas do mundo, suplantada apenas pela de Ouderkerk, nas proximidades de Amsterdã.

O termo utilizado pelos sefarditas para cemitério é "Betahaim" – Casa da vida. Sábio paradoxo, pois o campo-santo de Altona constitui uma janela para quase 360 anos da comunidade dos judeus portugueses, vivendo no norte da Alemanha. Um verdadeiro arquivo petrificado: cabe apenas decifrá-lo.

Atualmente, o local está totalmente vedado ao acesso público, devido a repetidos atos de vandalismo. Entretanto, desde o início de 2002, restauradores, mineralogistas e judaístas o vêm estudando e recuperando, graças a doações de firmas e instituições, como a Reemtsma e a ZEIT, totalizando 1,5 milhão de euros. Pela primeira vez, um cemitério judaico na Alemanha está sendo classificado a partir de suas lápides.

Dentre esse cientistas, está a equipe encabeçada pelo judaísta e historiador Michael Bocke, do Instituto Salomon Ludwig Steinheim, de Duisburg, que atualmente se ocupa da tradução dos epitáfios. Em breve, as versões hebraica e alemã dessas legendas serão divulgadas pela internet.

Bombas, vândalos e o tempo

O trabalho dos pesquisadores lembra por vezes um quebra-cabeças. Assim como as bombas da Segunda Guerra Mundial, o vandalismo deixou traços indeléveis. Somente nos últimos 20 anos, foram movidas tantas lápides, que "aproximadamente um quarto das pedras não mais se encontra no lugar original", afirma Irina von Jagow, diretora-gerente da Fundação Denkmalpflege Hamburg.

Os estudiosos prestam especial atenção à exuberante linguagem imagística das sepulturas. Os nomes dos falecidos baseavam-se nas personagens da Bíblia hebraica, fornecendo aos escultores o pretexto para verdadeiras mini-obras-primas da arte do relevo. Assim, Daniel se faz reconhecer como o homem na cova do leão, Jacó é associado ao sonho da escada que leva ao céu, e Raquel é representada como pastora entre ovelhas.

Essa restauração é uma corrida contra o tempo. Parte das tumbas foi confeccionada em mármore branco, um material com que os restauradores da região tinham pouca experiência, até agora. Várias peças estão expostas às intempéries há mais de 350 anos, e o desgaste tem sido especialmente agudo nas últimas décadas. Por isso, numerosos epitáfios são indecifráveis, sendo preciso apelar para fotos antigas. Em 54 peças os mineralogistas pretendem aplicar novos métodos de conservação.

Uma fascinante introdução ao tema é o livro Zerstört die Erinnerung nicht – Der Jüdische Friedhof Königstrasse (Não destruam a memória), dos autores Michael Studemund-Halévy e Gabriele Zürn, especializados na história dos campos-santos judaicos.

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