Casa Branca ataca imprensa e fala em combate ″com unhas e dentes″ | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.01.2017
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Estados Unidos

Casa Branca ataca imprensa e fala em combate "com unhas e dentes"

Trump afirma que mídia "desonesta" inventou briga com a CIA e acusa jornalistas de subestimar de propósito o público na cerimônia de posse. Assessor diz que imprensa vai prestar contas do que faz.

A imprensa foi o alvo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no seu primeiro dia completo no cargo, neste sábado (21/01). Ele chamou os jornalistas de desonestos, disse que a mídia inventou a briga dele com a CIA e acusou jornais e emissoras de subestimar o público que acompanhou a sua cerimônia de posse, em Washington.

Os ataques aconteceram no mesmo dia em que mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas de grandes cidades dos Estados Unidos para protestar contra o novo presidente e a favor dos direitos das mulheres e das minorias, que os críticos afirmam correrem risco no governo Trump.

Neste domingo, o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, afirmou à emissora Fox News que o presidente está tentando fazer com que a mídia se comporte de forma "honesta", acrescentando que "há uma obsessão por parte da mídia para deslegitimar este presidente e nós não vamos ficar passivos assistindo a isso". Priebus disse que o governo vai combater a cobertura midiática desfavorável "com unhas e dentes".

No sábado, durante uma visita à sede da CIA, em Langley, na Virgínia, Trump afirmou que os jornalistas estão entre as pessoas "mais desonestas da Terra" e disse que mais de 1,5 milhão de pessoas assistiram à sua cerimônia de posse em Washington, o que fotografias do evento desmentem.

Inauguration Obama vs Trump

Fotos tiradas ao meio-dia na primeira posse de Obama (e), em 2009, e na de Trump

A visita tinha por objetivo melhorar a relação de Trump com a CIA, depois de ele ter culpado os serviços de espionagem pelo vazamento de um dossiê com informações comprometedoras não comprovadas e ter sugerido que as práticas dos agentes remetem à Alemanha nazista. O então diretor da agência, John Brennan, foi chamado por Trump de "vazador de notícias falsas".

Apesar disso, Trump afirmou durante a visita que a sua briga com a agência foi inventada pela imprensa. "Eu estou em guerra com a imprensa. Eles estão entre os seres humanos mais desonestos da face da Terra, e eles fizeram parecer que eu tinha uma briga com a comunidade de inteligência", afirmou. "É exatamente o oposto. Eu amo vocês e respeito vocês. Eu estou mesmo do lado de vocês."

Segundo o New York Times, Nick Shapiro, um dos principais assessores de Brennan, disse que o ex-diretor da agência está profundamente triste e irritado com a "lamentável autoglorificação" exibida por Trump diante do memorial dos heróis da CIA. "Brennan disse que Trump deveria se envergonhar de si mesmo", acrescentou Shapiro. Brennan renunciou ao cargo nesta sexta-feira.

Polêmica sobre participação popular na posse

Durante a visita, Trump aproveitou para questionar a cobertura de sua posse. "Eu fiz um discurso. Eu olhei para frente, o espaço estava... parecia um milhão, um milhão e meio. Eles mostraram um espaço onde não havia praticamente ninguém por lá", declarou aos agentes. "Nós os pegamos de jeito. E eu acho que eles vão pagar caro."

O presidente ainda atacou um jornalista da revista Time que afirmou que ele removeu um busto de Martin Luther King Jr. do Salão Oval da Casa Branca. "É assim que a imprensa é: desonesta", disse Trump. O jornalista reconheceu seu erro e disse que uma porta e um segurança taparam sua visão do local. A Time também publicou uma retificação.

Sean Spicer

Spicer disse que Trump "atraiu o maior público que já acompanhou uma posse e ponto final."

Mais tarde, o porta-voz de Trump, Sean Spicer, acusou as empresas de comunicação de "deliberadamente reportar de forma falsa" sobre o número de participantes da cerimônia de posse para tentar "semear a discórdia" num momento em que Trump estaria tentando unir o país. Ele disse que o governo fará a imprensa prestar contas do que faz.

Spicer acrescentou que Trump "atraiu o maior público que já acompanhou uma posse e ponto final. Essas tentativas de diminuir o entusiasmo com a posse são vergonhosas e equivocadas." Spicer, porém, admitiu que ninguém tem números oficiais porque as autoridades locais não fornecem esse tipo de informação.

Kellyanne Conway, conselheira do presidente, foi questionada neste domingo, em entrevista à emissora NBC, sobre por que Spicer deu declarações que podem ser facilmente provadas falsas e disse que o porta-voz simplesmente ofereceu "fatos alternativos", uma expressão que causou espanto e indignação entre jornalistas e nas redes sociais.

Diversas estimativas afirmam que cerca de 1,8 milhão de pessoas participaram da primeira posse de Obama, em 2009, no mesmo local onde ocorreu a de Trump. Nesta sexta-feira, autoridades de Washington esperavam um público de cerca de 900 mil durante a posse do magnata.

AS/ap/afp/rtr/efe

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