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Cultura

"Carmen" africana leva Urso de Ouro

Para a surpresa da crítica, o Urso de Ouro da 55ª Berlinale foi concedido a "U-Carmen eKhayelitscha", uma interpretação sul-africana da ópera de Bizet. O alemão "Sophie Scholl – os últimos dias" levou dois prêmios.

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Ópera foi cantada em um dos onze idiomas oficiais da África do Sul

Que a África era um dos temas centrais do 55º Festival Internacional de Cinema de Berlim, todos sabiam. O que poucos esperavam é que o júri levasse isso tão a sério, a ponto de conceder o Urso de Ouro a um filme no qual poucos apostavam.

Berlinale Film U-Carmen eKhayelitsha Goldener Bär

Os atores do filme: Andries Mbali, Lungelwa Blou, Sibulele Mjali, Pauline Malefane, o diretor Mark Dornford-May e a atriz Andiswa Kedama, da esq. para a dir.

U-Carmen eKhayelitsha (Carmen em Khayelitsha), do britânico radicado na África do Sul Mark Dornford-May, é uma adaptação pouco convencional da ópera Carmen, do francês George Bizet, na qual todos os textos são cantados em xhosa, uma das 11 línguas oficiais do país.

"A decisão não foi de forma alguma difícil", disse Roland Emmerich, presidente do júri internacional. Segundo ele, a escolha do filme foi unânime entre os membros da comissão. Pela primeira vez, o Urso de Ouro foi entregue a um país africano.

A ação foi transferida para uma township sul-africana – bairros nos quais a população negra vivia separada da branca pelo regime de apartheid e que até hoje sofrem com a pobreza e a superpopulação. Na maior delas, a South Western Township ou apenas Soweto, vivem cerca de quatro milhões de habitantes.

Três chineses em 1,3 bilhão

Berlinale Film Kong-Que Peacock

Cerna de «Kong Que» (O pavão), de Gu Changwei

O Urso de Prata foi concedido à produção chinesa Kong Que (O pavão), estréia na direção de Gu Changwei, um dos mais renomados camera men chineses ( Adeus, minha concubina).

Trata-se de uma longa e fastidiosa excursão pela vida de três irmãos em uma pequena cidade na província chinesa de Henan, da revolução cultural do final dos anos 70 até 1984.

A história se repete na tela

A história do século 20 foi pano de fundo de diversos filmes da competição oficial da mostra deste ano. Um dos mais cotados pela crítica ao Urso de Ouro, Paradise Now, de Hany Abu-Assad, narra as últimas horas de vida de dois palestinos antes de um atentado terrorista.

Filmstill zu Paradise Now, Berlinale

Cena de «Paradise Now», de Hany Abu-Assad

O filme teria saído injustamente de mãos vazias, se não tivesse levado o prêmio Der Blaue Engel, que condecora o diretor do melhor filme europeu com 25 mil euros.

Mas quem roubou a noite foi Sophie Scholl – Os últimos dias, que rendeu mais dois prêmios ao cinema alemão: Marc Rothemund levou o de Melhor Direção sob vaias da imprensa.

Filmszene Sophie Scholl - Die letzten Tage

Cena de «Sophie Scholl - os últimos dias», de Marc Rothemund

Julia Jentsch foi considerada Melhor Atriz por sua interpretação da jovem líder do movimento estudantil Weisse Rose (rosa branca), que distribuía panfletos contra o nazismo por caixas de correio do sul do Alemanha e da Áustria e acabou sendo executada pelos nazistas em 1943.

Berlinale Silberner Bär für Julia Jentsch

Julia Jentsch recebe o Urso de Prata

Ela recebeu aplausos calorosos do público e cativou a crítica em geral. "Eu não tinha nem grandes expectativas, nem me preparado para grandes decepções", disse, lembrando que coragem civil permanece um tema atual. "Interpretar Sophie foi uma tarefa especial, pois acho importante podermos ver no cinema personagens que nos servem de exemplo na vida real."

Confira a lista completa dos vencedores:

Urso de Ouro: U-Carmen eKhayelitsha, de Mark Dornford-May

Urso de Prata: Kong Que, de Gu Changwei

Melhor Direção: Marc Rothemund por Sophie Scholl

Melhor Atriz: Julia Jentsch em Sophie Scholl

Melhor ator: Lou Taylor Pucci em Thumbsucker, de Mike Mills

Performance Artística Excepcional: Tsai Ming Liang pelo roteiro de The Wayward Cloud

Melhor Trilha Sonora: Alexandre Desplat por De Battre mon coeur s'est arreté (Jacques Audiard)

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